Água Cristalina
Neste porto não embarcam mais escravos! Bradou com voz de estetas o principal dos jangadeiros, Francisco José do Nascimento, que posteriormente teve o apelido de Dragão do Mar. Não embarcam! – repetiam os demais jangadeiros, repetiu a multidão ansiosa expectativa, apinhoada na praia. Os mercadores de homens não esperavam por esta e, diante do que acontecia, resolveram contemporizar. O episodio aliás, era o golpe final vibrado na escravatura. Esse dia que os trabalhadores do mar ditaram a sua palavra passou a história. Consoante o imperativo brado, nunca mais no porto da capital cearense houve embarque de cativos.122

As histórias da literatura brasileira categorizaram Adolfo Caminha como um autor contraditório, frágil e menor, talvez marginal se pensado em relação aos grandes nomes do período. Preferimos chamá-lo de um autor tenso. Tenso em relação às transformações que marcaram aquele “início” do século XIX, pois, ao mesmo tempo em que ele as louvava e pedia por elas, ele também as via com desconfiança, destacadamente no caso da entrada do Brasil no mercado consumidor de bens importados, que a seu ver ameaçava a cultura e os costumes locais, como é possível apreender da leitura de sua coluna intitulada de “Sabbatina”, no jornal O Pão, da Padaria Espiritual.

Segundo o inglês Henry Koster (2003, p.167/168), em dezembro de 1810, a vila consistia “principalmente n’uma longa rua, com varias outras de menor importância, partindo desta em rumo ao sul”. A observação evidencia que, para o viajante, a rua nascia no norte do Aracati, próxima a região portuária e tomava a direção da área outrora idealizada para a praça. Tal apreensão, do norte como ponto de origem, possivelmente, decorria do maior número de edificações e da atividade comercial nas proximidades do ancoradouro da vila, enquanto o sul, nas proximidades do que devia ser a praça, era pequena tanto a concentração de pessoas como o número de edifícios, assim como não havia a atividade comercial característica do norte. Lá, também, não estava a Casa de Câmara e Cadeia, nem o pelourinho, tampouco a Igreja Matriz.

No ano de 1777, o Juiz Ordinário da vila do Aracati, José Rodrigues Pinto, procedeu à devassa do ferimento feito de noite na preta Izabel de Francisco Rodrigues Soares pelo feitor da oficina do Souza Braga, Antônio Joze. Na denúncia, o escrivão informa que, ao ser chamado, foi

ARACATI | Os morros de areia

Escrito por Quinta, 13 Julho 2017 20:32
Publicado em Memória

No relato de Freire Alemão, percebemos que além dos canaviais, havia naquele período outro elemento muito marcante da paisagem, que foi definido pelo pesquisador como “monte de areia fina e clara sem nenhuma vegetação”33. O conjunto de dunas do Cumbe prendeu a atenção do grupo de estudiosos. Das duas aquarelas produzidas pela comissão retratando o local, uma ilustra as dunas.

A criação da aula régia de Aracati

Escrito por Quarta, 12 Julho 2017 19:40

A iniciativa de fundação de uma aula régia de gramática latina em Santa Cruz do Aracati partiu dos seus homens bons. Reunidos em vereação no dia 23 de outubro de 1784, os oficiais da edilidade elaboraram uma representação endereçada à rainha D. Maria I, afirmando a grande necessidade de abertura da cadeira na vila, por esta se tratar da maior e mais populosa da comarca do Ceará, apresentando a localização geográfica e a situação econômica mais convenientes de toda a capitania:

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