Água Cristalina

ADOLFO CAMINHA | O escritor e o homem

Escrito por Terça, 01 Agosto 2017 21:06
Publicado em Biografia

Filho de Raimundo Ferreira dos Santos Caminha e de Maria Firmina Caminha, nasceu Adolfo Caminha em Aracati, Estado do Ceará, no dia 29 de maio de 1867.

 

Aos dez anos de idade, perdeu sua mãe, vítima da grande seca de 1877. Transferido então para Fortaleza, estudou as primeiras letras em casa de parentes. Mais tarde,

A paisagem urbana de Aracati expressa, através de seus templos religiosos, herdados do período colonial, o poderio da Igreja Católica na formação socioespacial. A Igreja no início da conquista da terra juntamente com o Estado e os colonos exerciam o papel de dominadores dos indígenas da região, impondo sua religião, “pacificando-os”, a fim de transformá-los em vaqueiros e mão de obra para as fazendas de criação de gado.

Então é duas coisas que ás vezes eu digo é a questão da invisibilidade. Nós não existimos, é como se nós não tivesse nenhuma relação com esse espaço, que ai quando eles fizeram esse RAS, nem nós aparecemos! Comunidade do Cumbe... é como se não existisse né... 107

[...]só a partir da segunda metade do século XVIII, quando predominaram orientações pombalinas sobre a política e a economia portuguesas, o território dos sertões da capitania geral de Pernambuco foram de fato inseridos nos projetos de colonização da Coroa Portuguesa. Antes disso, a insistente comunicação entre os funcionários régios e a administração que se concentrava em Lisboa era a única maneira de “pressionar” o rei por medidas de impor justiça nos sertões.

Neste porto não embarcam mais escravos! Bradou com voz de estetas o principal dos jangadeiros, Francisco José do Nascimento, que posteriormente teve o apelido de Dragão do Mar. Não embarcam! – repetiam os demais jangadeiros, repetiu a multidão ansiosa expectativa, apinhoada na praia. Os mercadores de homens não esperavam por esta e, diante do que acontecia, resolveram contemporizar. O episodio aliás, era o golpe final vibrado na escravatura. Esse dia que os trabalhadores do mar ditaram a sua palavra passou a história. Consoante o imperativo brado, nunca mais no porto da capital cearense houve embarque de cativos.122

As histórias da literatura brasileira categorizaram Adolfo Caminha como um autor contraditório, frágil e menor, talvez marginal se pensado em relação aos grandes nomes do período. Preferimos chamá-lo de um autor tenso. Tenso em relação às transformações que marcaram aquele “início” do século XIX, pois, ao mesmo tempo em que ele as louvava e pedia por elas, ele também as via com desconfiança, destacadamente no caso da entrada do Brasil no mercado consumidor de bens importados, que a seu ver ameaçava a cultura e os costumes locais, como é possível apreender da leitura de sua coluna intitulada de “Sabbatina”, no jornal O Pão, da Padaria Espiritual.

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