Água Cristalina
Caricatura de Nogueira Ponciano Caricatura de Nogueira Ponciano

Nogueira Ponciano

Escrito por  Quinta, 05 Julho 2012 14:52

Entre esses festeiros, ninguém se igualava ao Nogueira Ponciano, que de tão festeiro que era, fundou um clube para fazer festas dentro de sua própria  casa para o Aracati inteiro participar: O Clube 7 de Setembro.

Dentre as várias manifestações populares promovidas pelo Nogueira Ponciano, uma merece destaque por ter sido por muitos anos uma tradição na véspera do Carnaval: O Zé Pereira, que saía às ruas do Aracati, sempre no sábado magro, uma semana antes do carnaval.

 

A característica principal desse bloco eram as “tochas de fogo” que seus componentes conduziam durante todo o trajeto que faziam pelas ruas da cidade. Outra particularidade importante eram as fantasias ou indumentárias que seus participantes vestiam. Essas fantasias tinham um objetivo principal que era dificultar a identificação de quem estivesse fantasiado. Isso tanto valia para os homens como também para as mulheres, fazia parte da brincadeira, do espírito do bloco, do Zé Pereira.

Um alguém da Coluna D. Luis, que participou do Zé Pereira, do Nogueira Ponciano, me relatou uma história a respeito de um acontecido, num desses Zé Pereira, que revela o espírito brincalhão e engraçado do Zé Pereira comandado por Nogueira Ponciano; vamos a história: "...Todo mundo já chegava fantasiado ali no pátio interno do 7 de Setembro. Todo mundo homens e mulheres e ninguém sabia quem era homem ou mulher. Quando Nogueira dava o grito para iniciar o Zé Pereira, cada um pegava seu par, quem tivesse mais perto, sem saber se era homem ou mulher. Depois de escolhido o par tinha que ficar com ele até fim do desfile que percorria muitas ruas do Aracati. Durante todo trajeto ninguém se falava, todo mundo dançava e cantava, mas não falava, para não ser identificado, pois somente quando do retorno ao clube 7 de setembro era quando se podia tirar a máscara e se identificar ao seu par. Isto era a parte cômica do Zé Pereira, pois acontecia muitas vezes de um homem passar todo o Zé Pereira dançando com outro homem sem saber. O mesmo acontecia com as mulheres... E quando isso acontecia era motivo de muita gozação.


Pois bem, num desses Zé Pereira, aconteceu um fato bastante curioso e engraçado. Mocinha filha do seu Quincas Mugunza, chegou ao 7 de setembro numa fantasia impossível de ser reconhecida. O mesmo aconteceu com nosso amigo de saudosa memória, Evaristo, mais conhecido por Pé de Cobra, vizinho de Mocinha e seu desafeto declarado. Mocinha tinha horror a Pé de Cobra, ao seu jeito de malandro. 

Quando Edgar Cirino deu os primeiros acordes no seu banjo com a introdução do Zé Pereira, Viva o Zé Pereira... Viva o Carnaval, Mocinha e Pé de Cobra sem saberem um do outro, deram-se os braços e formaram um par. Assim desfilaram por toda rua Grande, rua da Parada, voltando pela rua Grande até chegar ao 7 de setembro.

Ao chegarem de volta ao 7 de setembro na hora de se tirar as máscaras e cada um reconhecer seu par, com quem tinha dançado a noite toda pelas ruas do Aracati, Mocinha descobriu horrorizada que seu par naquele Zé Pereira havia sido Pé de Cobra, o elemento, o sujeito que ela mais detestava na vida...”.

Que nesse Zé Pereira, quando se resgata a figura do Nogueira Ponciano, que cada um dos participantes encontre o seu par desejado e brinque um carnaval feliz.

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Lido 1124 vezes Última modificação em Sábado, 04 Janeiro 2014 22:33
Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nascido no Aracati em 30 de novembro de 1946, foi o terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva. Viveu sua infância em Icapui onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta. Em 1957, ingressou no Grupo Escolar Barão de Aracati. Em 1974, casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e deste matrimônio nasceram os filhos Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira.

 

Em 1976 graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN. Atuou à frente do Instituto do Museu Jaguaribano como presidente, função que exerceu em duas diretorias (1976 1979/1982-1985). Foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996) período em que assumiu a pasta da Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.

 

A história e a memória da cidade e do povo aracatiense constituem objetos de seus estudos amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local em que colabora desde 1975. Em 2005 a crônica "O Amor do Palhaço", de sua autoria, foi adaptada para o cinema em um curta metragem (15") homônimo com direção de Armando Praça Neto,

 

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)

Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)

Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009) 

A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)

Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)

Aracati era assim (Inédito)

Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

 

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