Água Cristalina
Ramiro Teles- Superintendente IPHAN-CE Ramiro Teles- Superintendente IPHAN-CE Acervo do entrevistado

CINETEATRO FRANCISCA CLOTILDE É PRIORIDADE PARA O IPHAN

Escrito por  Terça, 18 Março 2014 11:28

O ano de 2013 configurou-se como um marco para o projeto de requalificação do Cineteatro Francisca Clotilde, em Aracati-CE. O projeto, segundo Ramiro Teles, superintendente do IPHAN no Ceará será contemplado prioritariamente com recursos federais oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento-PAC. Às vésperas do dia mundial do teatro (27) o Cineteatro Francisca Clotilde, encontra-se com suas cortinas fechadas fato que tem aquecido a discussão entre artistas, jovens e sociedade aracatiense. Organizamos a entrevista a seguir com o intuito de responder muitas indagações surgidas em redes sociais e em rodas de conversas entre os grupos de artistas de Aracati. Fizemos o convite a Ramiro Teles para se pronunciar sobre o assunto cedendo-nos uma entrevista. Nela conversamos sobre patrimônio histórico, preservação, educação patrimonial e revitalização do centro histórico de Aracati. Confira:

 

Marciano Ponciano- Aracati foi contemplada em 2013 com recursos do PAC-Cidades Históricas, entre os benefícios está o projeto do Cineteatro Francisca Clotilde. O que de fato será realizado neste projeto?
Ramiro Teles- Serão executados serviços integrais de restauro, requalificação e adaptação do imóvel às funções de cineteatro. Com isto, a sala de espetáculos será dotada de caixa cênica, inexistente desde sua origem; plateia com curva de visibilidade garantida; bateria de sanitários; eliminação de anexos espúrios e recomposição de características originais. Acessibilidade universal foi outra diretriz do projeto que garantirá o acesso pleno aos usuários.


Marciano- O projeto do teatro consta do esforço e articulação da sociedade civil organizada, órgãos públicos entre eles o IPHAN. Este percurso remonta o ano de 2007 quando foi lançada a campanha “O Espetáculo não pode parar”. Sete longos anos separam aquela ação da conquista de recursos públicos para a requalificação do citado espaço. Por que este processo é tão lento?
Ramiro- De fato, o embrião de tudo foi a campanha “O Espetáculo não pode parar”. Com ela houve a sensibilização do poder público municipal e do IPHAN-Ceará. A partir daí, através de compromisso firmado junto ao Ministério Público Estadual, coube ao IPHAN a elaboração do projeto de restauro e à municipalidade a desapropriação do imóvel e elaboração dos projetos complementares. Desde a firmatura do compromisso o IPHAN vem cumprindo o que foi estabelecido e iniciou a elaboração do anteprojeto de restauro no âmbito da Superintendência. Concluído o anteprojeto, foi solicitado ao IPHAN-Sede o recurso para a contratação do projeto executivo de restauro. Após um ano de elaboração de projeto, os esforços se direcionaram no sentido de captar o recurso e o IPHAN tomou esta dianteira. Durante o anúncio do PAC Cidades Históricas o IPHAN-CE, em sintonia com a Prefeitura Municipal de Aracati, candidatou esta ação como prioritária para Aracati. Em agosto de 2013 a Presidenta Dilma anunciou as ações contempladas para todas as cidades candidatas e Aracati foi contemplada com mais de 8 milhões de reais para diversas obras de restauro, tendo o Teatro Francisca Clotilde como ação piloto. Todo este percurso descrito está imbricado de prazos, procedimentos e trâmites burocráticos dos quais não podemos nos eximir. Eis o motivo da aparente demora.

 

Marciano- O teatro, certamente, cumprirá além de suas funções enquanto equipamento cultural, um papel importantíssimo para a revitalização do centro histórico de Aracati. Qual a importância da educação patrimonial e do sentimento de pertença para a sustentabilidade dos sítios históricos, em especial o de Aracati?
Ramiro- O Teatro restaurado dará fôlego novo ao corredor tombado do sítio histórico. Será a força-motriz de um venturoso processo de requalificação que se instaura em Aracati no último ano. Além de todas as ações em vista – PAC Cidades Históricas, Financiamento de Imóveis Privados a juro zero – acreditamos que a educação é um dos pilares para a dinamização e qualificação de todo este processo, devendo permeá-lo. Através dela os olhares tornam-se mais límpidos e aguçados, a aproximações e vinculação ao patrimônio cultural tornam-se mais evidentes e a partir disto garante-se a preservação daquilo que é objeto de proteção e a consolidação das ações tão arduamente conseguidas. A educação transforma, enriquece e sustenta.

 

Marciano- Todo atentado ao patrimônio histórico configura-se um desconhecimento da história e dos marcos legais?
Ramiro- Não necessariamente. Cada caso é um caso. Quero crer que atualmente poucos destes atentados ocorrem por desconhecimento dos marcos legais. Felizmente a defesa do patrimônio cultural já é um assunto que permeia o cotidiano dos aracatienses. É importante ressaltar também que estes eventuais atentados praticamente não mais ocorrem.


Marciano- Por que é tão difícil convencer as pessoas sobre a importância da preservação de bens históricos? Como poderemos reverter essa postura?
Ramiro- O acesso ao patrimônio cultural é um direito difuso, coletivo, garantido pela Carta Magna. No caso do patrimônio edificado, um dos mais simbólicos por sua concretude, há que se observar a existência de uma relativa limitação do direito de propriedade. Não se pode dispor dos imóveis deliberadamente, em termos de alterações de suas características, sem prévia autorização do IPHAN e isto é o ponto que gera divergências. Porém, o Decreto-Lei 25/37 delega ao IPHAN esta responsabilidade de fiscalização, o que vem sendo cumprido desde o ano 2000 quando o Sítio Histórico de Aracati foi tombado. A chave de todo o processo de aproximação e defesa da preservação reside na educação e sensibilização dos usuários, sejam moradores, proprietários ou visitantes.


Marciano- Os materiais produzidos pelo IPHAN sobre o patrimônio histórico de Aracati, disponíveis em cartilhas, apresenta um texto muito técnico, baseado muitas vezes em difundir leis e normas sobre os bens tombados. O IPHAN trabalha em algum projeto editorial que apresente uma proposta mais didática?
Ramiro- Sim. Desde que o sítio histórico de Aracati foi acautelado o IPHAN tem estado presente mensalmente na cidade seja através de fiscalização de rotina, palestras, oficinas. Além disto, diversas cartilhas educativas têm sido distribuídas à população residente no sítio histórico bem como material de divulgação deste patrimônio: panfletos, cartões-postais, etc. Além destas iniciativas o IPHAN publicou, em parceria com a Fundação Demócrito Rocha e com a Secretaria de Educação do Ceará, a coleção Infância de Patrimônio com o livro didático “Construindo Aracati” voltado ao Ensino Fundamental I que foi repassado à Prefeitura Municipal de Aracati para distribuição às escolas municipais numa tiragem de cerca de 3 mil exemplares. Os professores também participaram de um treinamento para orientá-los quanto ao uso do material na grade curricular das escolas.


Marciano- Aracati configura-se como uma cidade que se destaca pelo seu patrimônio imaterial entre os quais músicos, artistas visuais, atores, etc. Este cenário foi uma das justificativas para a inclusão do teatro como prioridade entre as obras a serem efetivadas com recursos federais. No mês de março celebra-se o dia internacional do teatro uma data oportuna para o início das obras no Cineteatro Francisca Clotilde. Objetivamente quando terá início a obra e qual será o prazo previsto para o seu término?
Ramiro- Desde o anúncio das ações contempladas no PAC Cidades Históricas, em agosto de 2013, a Superintendência do IPHAN no Ceará vem trabalhando na adequação dos projetos e orçamentos de acordo com as orientações da Diretoria do PAC Cidades Históricas. Na última semana recebemos a aprovação final de todo o material enviado. Com isto, durante o mês de março solicitaremos a descentralização do recurso, já garantido, para que possamos licitar a obra durante o mês de abril. Imaginamos que as obras iniciarão ainda no primeiro semestre (2014).


 

Entrevista cedida via e-mail por Ramiro Teles, Superintendente do IPHAN no Ceará, à Marciano Ponciano para o site www.luacheia.art.br, em 16 de março de 2014.

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Lido 1007 vezes Última modificação em Quarta, 26 Março 2014 13:33
Marciano Ponciano Virginio

Sou natural de Aracati-Ce, terra onde os bons ventos sopram. Na academia da vida constitui-me poeta, realizador de sonhos, encenador de máscaras. Na academia dos saberes acumulados titulei-me professor de Língua Portuguesa e especializei-me em Arte-Educação. O projeto de vida é semear a arte por onde passe: teatro, poesia, artes plásticas- frutos da experiência acumulada em anos dedicados a ser feliz. Quando me perguntam quem sou - ator, poeta, encenador, artista plástico, educador? Afirmo: - Sou poeta!

3 comentários

  • Link do comentário Tiche Vianna Quarta, 19 Março 2014 11:07 postado por Tiche Vianna

    Viva!!!! Ha esperança!!! Parabéns pela luta, parceiro! Um abraço.

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  • Link do comentário Bila Terça, 18 Março 2014 11:57 postado por Bila

    Uma lição de cidadania do Marciano Ponciano, com o Lua Cheia e o IPHAN

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  • Link do comentário Francisco Garcia Sena Terça, 18 Março 2014 11:50 postado por Francisco Garcia Sena

    Parabéns ao GRUPO LUA CHEIA, através de Marciano Ponciano, excelente reportagem. Muitos esclarecimentos, agora é ficar atento aos PRAZOS e seguir adiante.

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