Marciano Ponciano Marciano Ponciano Marcos Aurélio Pacheco

ENTREVISTA | MARCIANO PONCIANO: O LUGAR DO TEATRO ARACATIENSE

Escrito por  Edsom Fontes Domingo, 15 Novembro 2015 11:34

Marciano Ponciano, poeta, ator e arte-educador, revela-nos seu envolvimento em questões culturais na cidade de Aracati e destaca o protagonismo de grupos e sociedade aracatiense para o desenvolvimento teatral aracatiense.

 

Edsom Fontes- Fale-nos um pouco sobre a história do teatro.
Marciano Ponciano- O teatro constitui uma das manifestações culturais mais antigas. Remonta períodos remotos da história da humanidade. Em seu princípio estava intimamente envolto nos rituais realizados em agradecimento aos deuses. Todavia quando falamos em teatro a nossa referência maior é a do teatro grego ou teatro ocidental de onde herdamos termos criados na cultura grega: ator, teatro, máscara, cena, etc. O teatro constitui-se vivo no seio das sociedades por refletir com grande facilidade o próprio homem, suas angústias e seus sonhos.
Defendo a tese de que o teatro no Aracati antigo corresponde ao desejo de civilidade de nossa sociedade sensível às transformações ocorridas em outras partes do mundo com as quais se mantinha informado através de seu porto. Na história do teatro no Aracati antigo constam relatos da existência de vários grupos advindos de outras partes do Brasil e de agremiações aracatienses que mantinham um programa cultural para a sociedade daquela época. A mais importante pesquisa a respeito dessas evidências é o artigo publicado no site do Grupo Lua Cheia de Teatro intitulado "O Teatro no Aracati Antigo" de autoria de Antero Pereira Filho.
Hoje a maior evidência de nosso teatro se faz presente no trabalho de diversos grupos teatrais existentes em nossa cidade entre os quais posso citar: Grupo Lua Cheia de Teatro, Teatro de Bonecos Francisca Clotilde, Cia. Rumbora, Grupo Frente Jovem, Cia. Cenas de Aracati, Grupo Dias de Teatro entre outros. O teatro enquanto arquitetura encontra seu equivalente no antigo Cineteatro Moderno, hoje Cineteatro Francisca Clotilde cujas obras de restauro e requalificação encontram-se sobre a responsabilidade do IPHAN. Esse projeto foi fruto da mobilização de diversas instituições da sociedade civil organizada que resolveram lutar para que o teatro não desmoronasse tal era a fragilidade de sua estrutura física. Esse é um projeto que deve contar com a participação de toda a sociedade aracatiense para que possamos muito em breve permitir que o teatro tenha o seu lugar de destaque em nossa cidade.


EF- Para você, como foi participar nas melhorias do Teatro Francisca Clotilde?
MP-Participo como articulador e ativista nesse movimento. Essa é uma atividade que nunca cessa, pois há muito que ser feito e muitas vezes os processos são burocráticos e morosos.


EF-O que o teatro aracatiense fornecia para as pessoas?
MP- O teatro é uma experiência única entre aquele que assiste/participa e os atores que atuam. Essa história vivenciada ao vivo por centenas de pessoas durante anos é incomparável. O teatro é assim.


EF-Você se dedicou muito ao teatro?
MP-Como ator e diretor teatral sempre acreditei no potencial do Cineteatro Francisca Clotilde. Há vinte quatro anos trabalho com teatro e uma das primeiras peças que encenei foi nos palcos do Cineteatro (Guerra do Ouro Preto-1991). Desde o ano 2000 discutimos a fragilidade da estrutura do Teatro. Daquela data passaram-se quinze anos. Destes o teatro ficou fechado por seis. Por incrível que possa parecer somente quando o teatro passou a ser municipal em 2008 é que ele fechou suas portas. Luto para que o teatro possa abrir suas portas o mais breve possível.


EF-Quais foram suas principais participações?
MP-Tive diversas inserções no teatro. Primeiro como dramaturgo, depois como ator e diretor. Uma trajetória de mais de duas décadas.


EF-O teatro trouxe muitas experiências para sua carreira?
MP-Muitas foram as alegrias. Entre elas a possibilidade de trabalhar com atores maravilhosos, amigos na vida e na arte.


EF-Com tudo isso, o que você espera que as pessoas aprendam com o teatro?
MP-O teatro não é uma resposta para as indagações. Ele mais inquieta do que explica. Espero que as pessoas assistam teatro e se maravilhem com a vida.



Entrevista cedida por Marciano Ponciano a Edsom Fontes em 22 de julho de 2015.

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Lido 302 vezes Última modificação em Sábado, 19 Dezembro 2015 18:07

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