Estilo Lima

Coletivo Central Arte: trânsito e transformação

Escrito por  Sexta, 11 Novembro 2016 21:34

Coletivo é o plural em ações, intenções e artes. No próximo dia 12 de novembro ocorrerá o I Sarau do Coletivo Central Arte. Conversamos com Vitória Sales, Ian Thalles e Demétrius Vieira, membros do Coletivo, para os quais arte é trânsito e transformação.

 

Marciano Ponciano- Quantos cabem num coletivo de artes?

 

Vitória Sales- Creio que informar um número soaria presunçoso de minha parte. Um coletivo de arte trata-se da união de pessoas que se propõem a ensejar a cultura. Por esse motivo, acredito que enquanto os envolvidos estiverem dispostos a se manterem focados no objetivo principal, e determinados a colaborarem para a organização e prudência nos eventos promovidos, todos serão bem vindos.

 

Demétrius Vieira- Num coletivo cabe exatamente a medida que a arte nos proporciona. É espaço para que artistas se movimentem e dialoguem entre si, e para que qualquer um que se disponibilize a atravessar e ser afetado pela arte, como uma potência de construção do individuo. A quantidade de integrantes é dada pelos processos que o coletivo vive.

 

Marciano Ponciano- Raimundo Leontino Filho, poeta aracatiense, certa vez escreveu em texto para apresentação da coletânea de poesia Poetossíntese: “Aracati, magicamente, produz seus artistas – farejadores de mínimas coisas – abrindo voos de puro encantamento”. O ciclo nunca cessa?

 

Vitória Sales- Aracati é uma cidade que se destaca como berço de artistas. Terra de grandes como Adolfo Caminha e Jacques Klein, nunca parou de produzir cultura. Essencialmente, acredito que esse ciclo não cessa, apesar das adversidades com que a arte se depara no contexto político-social em que se encontra o país. Os artistas aracatienses continuam produzindo, e as novas gerações tentam impedir que nossa cidade se torne um cemitério das artes.

 

Demétrius Vieira- A arte em si é trânsito e transformação. Exatamente por isso que Aracati é campo fértil ao brotar de artistas, por seu passado rico e forte, mas também por uma contemporaneidade que anseia a liberdade em relação a certos valores que não cabem mais, a transcender uma mentalidade ainda arcaica sobre muitos aspectos da sociedade. Este contexto cria um espaço de devir para a reflexão, contestação, desconstrução e a criação de novos fluxos e olhares.

 

Marciano Ponciano- Qual o perfil do Coletivo Central Arte?

Vitória Sales- O Coletivo Central Arte surge no momento da ideia do Sarau Livre, como uma iniciativa à união de jovens artistas da cidade de Aracati. Nós tentamos trazer a ideia de que qualquer um pode produzir arte, de que esta pode se mostrar democrática.

 

Ian Thalles- A meu ver, o Coletivo traz a proposta de enaltecer o conceito individual de arte, mostrar que a ARTE é aquilo que te toca, e não necessariamente o que o a história impõe como forma. Cada um tem a cara da arte que produz.

 

Marciano Ponciano- No convite postado em rede social o coletivo faz referência ao topônimo Aracati- bons ventos- reivindicando “bons ventos materializados em gente que faz arte”. Gerações de artistas aracatienses se sucederam em vasto registro presente na crônica jornalística. Se a arte faz-se presente no traço cultural de nossa cidade por que é tão caro aos artistas um lugar ao sol?

 

Vitória Sales- Respondendo diretamente a pergunta, creio que a arte em sua essência é provocativa e controversa, o que muitas vezes vai contra os interesses da classe política, que querendo ou não ainda retém os recursos para sua maior propagação. Os artistas, em sua maioria, trazem consigo a intensão de instigar seu público a pensar, repensar os valores e as imposições que lhes são feitas, por isso sofrem com a resistência de quem não se conforma com a formação intelectual da sociedade.

 

Demétrius Vieira- Experienciar os fluxos que a arte abre é de suma importância ao processo continuo de construção do individuo. Além disso, o foco da vivência artística, do trabalho do artista, não é exatamente um lugar ao sol, mas ressignificar esse lugar e partilhá-lo. O espaço que procuramos não é o do celebrismo, mas sim do celebrar, reverberar e fazer com que esse espaço seja partilhado por todos. Que todos quantos queiram possam alimentar-se da arte.

 

Marciano Ponciano- O que levar para o I Sarau do Coletivo Central Arte?

 

Ian Thalles- É como a gente falou na descrição do evento: ‘’Vem de violão, guardanapos rabiscados e coração na mão’’.

 

Vitória Sales- O I Sarau Livre do Coletivo Central Arte traz a proposta de compartilhamento. Queremos que todos se sintam livres para manifestarem a arte que produzem, mas também para compartilhar aquilo que admiram... Tá liberado trazer o caderninho de anotações, poesias que você gostaria de declamar, mas principalmente, queremos que tragam os corações e as mentes abertas, para que possamos impulsionar o enriquecimento cultural da nossa terrinha.

 

Informações

Sarau Livre

Coletivo Central Arte

Local: Pizzaria Tropical (Rua Tabelião João Paulo 507, 6280000 Aracati)

Início: 18h. Entrada franca

 

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Lido 559 vezes Última modificação em Domingo, 13 Novembro 2016 08:56
Marciano Ponciano Virginio

Sou natural de Aracati-Ce, terra onde os bons ventos sopram. Na academia da vida constitui-me poeta, realizador de sonhos, encenador de máscaras. Na academia dos saberes acumulados titulei-me professor de Língua Portuguesa e especializei-me em Arte-Educação. O projeto de vida é semear a arte por onde passe: teatro, poesia, artes plásticas- frutos da experiência acumulada em anos dedicados a ser feliz. Quando me perguntam quem sou - ator, poeta, encenador, artista plástico, educador? Afirmo: - Sou poeta!

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