Santinhos de alguns vereadores aracatienses Santinhos de alguns vereadores aracatienses

Pode um slogan ganhar uma eleição?

Escrito por  Quinta, 19 Julho 2012 08:40

A propaganda mais prática usada numa campanha política é o tradicional e popular “santinho”- impresso em que os candidatos expõem suas fotos e imprimem seus slogans com o objetivo de ganhar o eleitorado.
Tomando como base as duas últimas eleições municipais (2004 e 2008), veremos como o slogan utilizado por candidatos a vereador, repercutiu ou obteve relevância junto ao eleitorado que justificasse seu voto ou não ao postulante.



Nacelma Ferreira. 2004Nacelma Ferreira era uma debutante na política, uma neófita em disputa eleitoral, quando se candidatou pelo Partido Progressista (PP) em sua primeira eleição com o slogan: “A mulher em defesa da mulher”. Foi eleita com uma grande votação. A sua comunicação alcançou as eleitoras que a elegeram com o desejo de se verem representadas na Câmara.


Na sua segunda eleição, ainda pelo Partido Progressista (PP), a vereadora Naselma Ferreira em seu slogan de campanha, fez um agradecimento ao seu eleitorado, pelo sucesso alcançado nas urnas, dizendo: “Você faz parte dessa história”. Foi uma mensagem valorizando aqueles/aquelas que acreditaram em sua promessa em defesa da mulher.


Hercílio. 2004O candidato a vereador Professor Hercílio em sua primeira disputa pelo Partido dos Trabalhadores (PT) utilizou a expressão: “Luta e Compromisso” como chamamento primordial para atrair os eleitores. É sabido que o perfil do Professor Hercílio sempre foi de um homem de luta e compromisso com suas ideias e suas convicções. No entanto, o eleitor, infelizmente não se sensibilizou com a sua mensagem.


Em sua segunda tentativa como aspirante a vereador, o Professor Hercílio pertencia ao Partido Popular Socialista (PPS). Assim como trocou de legenda, também mudou de slogan empunhando a bandeira da “Ética e Cidadania”. Ainda não seria dessa vez que o Professor Hercílio chegaria a Câmara dos Vereadores. Mesmo se valendo de fortes argumentos como Ética e Cidadania, o slogan do Hercílio não comoveu o eleitorado.


Zé Raimundo. 2004Zé Raimundo retornou a política em 2004 postulando mais uma vez uma cadeira na Câmara Municipal. Foi candidato pelo Partido Progressista (PP) com o slogan “Um Homem de Fé”. Não obteve êxito em sua empreitada. O eleitor não acreditou tão piamente na fé que ele expressava. Parecia mais uma mensagem para pretendente a pastor.


Em 2008, Zé Raimundo voltou repaginado em um novo partido o Partido Popular Socialista (PPS) e com uma comunicação forte que dizia aquilo que o eleitor mais gosta num candidato: “Fiel e Trabalhador”. Sua alegação continha a palavra mágica que produz no eleitor uma identificação com o candidato: “Trabalhador”. Dessa vez Zé Raimundo voltou à Câmara mesmo sendo eleito pela média- isto é, pelos votos da coligação.


Marcos Monteiro. 2004Marcos Monteiro não conseguiu se eleger vereador na eleição de 2004 concorrendo pelo Partido Popular Socialista (PPS) com o slogan “A Câmara mais próxima do Povo”. Não funcionou seu recado. O povo não tinha tanta certeza que com o postulante eleito a vereador, a Câmara ficasse mais próxima. Era uma mensagem impessoal, uma divulgação quase que institucional.


Na sua tentativa seguinte, em 2008, concorrendo pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), seu novo partido, aí sim, Marcos Monteiro acertou diretamente no alvo, no coração do povo ao expor em seu “santinho” sua nova propaganda: “Compromisso com o Povo”. O eleitor acreditou no seu compromisso e foi às urnas com a convicção de que se firmasse essa promessa.


Diano. 2004Diano Rodrigues, candidato a vereador em 2004 pelo Partido Liberal (PL) com o slogan “Vereador do Povo”, foi conduzido a Câmara de Vereadores mais uma vez. Na eleição seguinte, em 2008, foi pretendente pelo Partido da República (PR), que substituiu o antigo PL, usando o mesmo slogan: “Vereador do Povo”. Não logrou o fruto que esperava. O slogan tinha ficado exaurido e não convenceu o povo com sua mensagem de que era o “Vereador do Povo”. Para o povo ele tinha deixado de ser seu vereador.


Kaká. 2004Kaká, usando a expressão:“Votar é Preciso”, impressa no santinho de sua propaganda eleitoral, em sua candidatura pelo Partido Liberal (PL) no ano de 2004, quase não conseguiu se eleger. Usando um slogan que não trazia nada de original nem dizia nada da personalidade nem do perfil do candidato. A afirmação de que “Votar é preciso”, poderia até mesmo ser confundida com Votar é obrigatório. Foi salvo pela media dos votos, chegou à Câmara se arrastando.


Em 2008, Kaká, filiado ao seu novo partido o Partido Republicano Brasileiro (PRB), não confiou somente no seu slogan anterior- “Votar é Preciso”- e acrescentou uma frase apelativa de cunho religioso e patriótico em sua difusão: “Feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor”. Dessa vez o reforço ao slogan funcionou e Kaká foi eleito sem precisar dos votos da coligação.


Kátia. 2004Katia Freire trouxe para sua primeira eleição em 2004, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), um slogan que convocava o eleitorado em uma forte chamada: “Renovação com Competência”. Este apelo repercutiu muito bem e conseguiu atingir o eleitorado. Katia Freire foi eleita para a Câmara dos Vereadores.


Na sua segunda eleição Katia Freire mudaria de partido. Dessa vez sob a bandeira do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e com um novo slogan- talvez para explicar sua mudança de legenda- assim dizia: “Coragem Para Mudar”. Não conseguiu repetir o sucesso da eleição anterior. Realmente é preciso coragem para mudar, mas provavelmente não era isso o que seu eleitorado queria do seu candidato.


O Eleitor espera sempre do candidato uma frase de Promessa, de Esperança, de Compromisso. Uma frase afirmativa que lhe faça confiar, acreditar e ter Fé.

 

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Lido 3401 vezes Última modificação em Sábado, 04 Janeiro 2014 22:13
Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nascido no Aracati em 30 de novembro de 1946, foi o terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva. Viveu sua infância em Icapui onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta. Em 1957, ingressou no Grupo Escolar Barão de Aracati. Em 1974, casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e deste matrimônio nasceram os filhos Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira.

 

Em 1976 graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN. Atuou à frente do Instituto do Museu Jaguaribano como presidente, função que exerceu em duas diretorias (1976 1979/1982-1985). Foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996) período em que assumiu a pasta da Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.

 

A história e a memória da cidade e do povo aracatiense constituem objetos de seus estudos amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local em que colabora desde 1975. Em 2005 a crônica "O Amor do Palhaço", de sua autoria, foi adaptada para o cinema em um curta metragem (15") homônimo com direção de Armando Praça Neto,

 

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)

Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)

Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009) 

A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)

Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)

Aracati era assim (Inédito)

Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

 

1 Comentário

  • Link do comentário Angela ( Estrela) Quinta, 19 Dezembro 2013 13:17 postado por Angela ( Estrela)

    Muito interessante o seu texto. Curioso. Nunca parei para observar esses slogans. Apenas fazia críticas.

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