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ARACATI | Teatro Santo Antônio

Escrito por  Hélio Ideburque Carneiro Leal Domingo, 13 Dezembro 2015 15:22

O Teatro Santo Antônio era simples, talvez modesto mesmo, mas, na opinião do historiador Antônio Bezerra, "merece especial menção". [...]

E, assim o descreve:

 

"Funciona no prédio à rua do Rosário (lado norte da esquina que essa rua faz com a antiga travessa Riachuelo, atualmente, Barão de Messejana, local da agência da Teleceará/Telemar - observação do Autor), "nele se vê magnífico cenário e duas ordens de camarotes. A plateia pode comportar 300 pessoas. É bem decorado e satisfaz perfeitamente as exigências do público amador. Ali se tem levado à cena bons dramas e alegres operetas". [...]

 

Na foto do arquivo de José Bezerra Monteiro, anterior a 1922, da direita para a esquerda, o prédio residencial n° 389, hoje 476, da rua Cel Pompeu (antiga rua do Rosário), e, em seguida, o em que funcionou a usina de beneficiamento de algodão de Costa Lima & Myrtil e, adiante, o edifício do Teatro Santo Antônio, na esquina da outrora travessa do Riachuelo, estes dois últimos demolidos na década de 80, pelo poder público municipal. [...]

 

Os festivais se sucediam, atraindo a todos, indistintamente, de modo a influenciar, destacadamente, a elite social, sempre presente ao Teatro Santo Antônio de Aracati

O Teatro Santo Antônio não somente proporcionava à população aracatiense atraentes festivais de música, excelentes concertos, com a participação das bandas locais, especialmente, a Filarmônica Zaranza, a Filarmônica Figueiredo e a Charanga 24 de Maio, executando o que de melhor constava de seus selecionados repertórios [...], como, outrossim, estimulava os jovens amadores a se envolverem em atividades cênicas.

 

E os pendores despertavam, estimulando iniciativas neste tocante.

 

Plena de entusiasmo e dedicação total surge, então, a prata de casa [...]: Grêmio Taliense Recreativo, Recreio Dramático Familiar e Grêmio Dramático Aracatiense, "com esplêndidas noitadas de arte".

 

"Como esquecer os ardores teatrais de plêiade tão garbosa e as clássicas peças, de capa e espada, João, o Corta Mar, Jocelin, o Pescador de Baleia, Brasileiros e Portugueses, Os Dois Sargentos, Esposa e Mãe, Nódoas de Sangue, O Louco da Aldeia, Orgulho Abatido, Lobo do Mar, O Dedo de Deus" ?! [...]

 

Os festivais se sucediam, atraindo a todos, indistintamente, de modo a influenciar, destacadamente, a elite social, sempre presente ao Teatro Santo Antônio de Aracati, "com suas clássicas e caríssimas indumentárias, salienta Ezequiel Silva de Menezes, como se fossem a um espetáculo lírico no Municipal do Rio de Janeiro". [...]

* *

Em 1911, o Teatro Santo Antônio passou por uma substancial reforma, sendo solenemente comemorada a sua reabertura, no dia 19 de novembro, em sessão lítero-musical, presidida pelo excelentíssimo senhor Juiz de Direito da Comarca Dr. Pedro Paulo da Silva Moura.

Teatro Santo Antônio, em Aracati. Foto de Abílio Monteiro

Foto do edifício do Teatro Santo Antônio. Da direita para a esquerda, o prédio residencial nº 389, hoje, 476, da rua Cel Rompeu (antiga rua do Rosário) e, em seguida, o prédio onde funcionou a Usina de beneficiamento de algodão da firma Costa Lima & Myrtil e, adiante, o edifício do Teatro Santo Antônio, na esquina da outrora travessa do Riachuelo, ambos demolidos, na década de 80; e, de então para cá, área ocupada pela Teleceará/Telemar, O Teatro Santo António, segundo Ezequiel Silva de Menezes [...], "foi testemunha de grandes, belas e valorosas noitadas de arte, levadas a efeito pela prata de casa: Grêmio Taliense Recreativo, Recreio Dramático Familiar e Grêmio Dramático Aracatiense". Igualmente, o "glorioso edifício ofereceu aos aracatienses excelentes concertos, as mais ricas e variadas partituras"[...], com a participação de suas bandas de música, especialmente, a Filarmônica Zaranza, a Filarmônica Figueiredo e a Charanga 24 de Maio.

A conferência sobre "Aracati e seu Progresso" "ficou a cargo do jovem intelectual Alberto Jacques Klein. A parte musical, sob a responsabilidade da Filarmônica Figueiredo que, então, era regida pelo maestro João Gomes da Silva.

 

A comemoração atraiu grande público que teve a oportunidade de ouvir músicas de Bellini, a ópera O Guarani, de Antônio Carlos Gomes, e a Marcha Nupcial, 4ª parte de um concerto de Felix Mendelssohn Bartholdy. Registro encontrado na já citada revista A Estrella, edição de dezembro daquele ano (1911). [...]

 

LEAL, Hélio Ideburque Carneiro. Bandas de Música de Aracati. Aracati: Minerva, 2003.

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Lido 321 vezes Última modificação em Sexta, 08 Janeiro 2016 15:55

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