Água Cristalina
Pastoril Pastoril Lourdes Ferraz

O Cão Zé Batata

Escrito por  Segunda, 30 Julho 2007 14:03

Zé Batata foi o maior, o melhor e mais representativo Cão de pastoril que já houve no Aracati. O artista Zé Batata interpretava, no pastoril, que se apresentava todo final de ano na Praça dos Prazeres; o Cão, personagem dos mais queridos por todos quantos se exibiam naquele auto pastoril, por causa do seu jocoso desempenho. A grande luta travada no palco do pastoril era a batalha entre o Cão Zé Batata, de aspecto horroroso, mostrando um só dente na sua imensa bocarra e o anjo Gabriel, representado, geralmente, pela moça mais bonita e cheia de candura entre todas as que compunham a trupe do pastoril.

 

Essa peleja entre os dois personagens simbolizava a disputa do Bem contra o Mal.

 

Ao sair os cordões de cena, entrava então dançando a florista, a pura e inocente mocinha que, displicentemente, passeava pelos jardins, colhendo flores e cantando alegremente louvores à vida. De repente, dum salto, surgia no centro do palco a figura horripilante do Cão Zé Batata, vestido com um macacão preto colado ao corpo, arrastando um imenso rabo que balançava de um lado para outro, fazendo acrobacias macabras num jogo de sedução, assediando a ingênua mocinha.

 

A intenção do Cão Zé Batata com sua lábia envolvente e sedutora era cometer o pecado. Era levar consigo para o Inferno a doce e bela mocinha que passeava pelo jardim inocentemente. Quando já estava quase conseguindo envolver e seduzir a mocinha para acompanhá-lo ao “lar e quente lar” do inferno, conduzindo-a pelas mãos avermelhadas da fantasia, era bruscamente surpreendido pela aparição do Anjo Gabriel, de espada em punho. Sobressaltado pela presença do Anjo Gabriel e a força da sua espada justiceira; o Cão Zé Batata se quedava de joelhos ao chão em sinal de submissão, prostração e derrota, com a ponta da afiada lamina do agente do Bem cravada nas costas. Desamparado e vencido pelo Anjo Gabriel, vendo fugir entre as flores do jardim sua linda presa que estivera tão perto de ser sua, somente sua, a linda e cândida mocinha do jardim florido da vida, e, sendo obrigado a ajoelhar-se mais ainda, rastejando pelo chão acovardado pela força dominadora da espada do Bem do Anjo Gabriel, o Cão Zé Batata, ao ver pela última vez sua linda mocinha desaparecendo pela cortina do palco, entrando nos bastidores, não se continha e, num derradeiro esforço, contorcendo-se todo virava o rosto, fazendo uma careta dantesca para encarar o Anjo Gabriel  resmungava: 

- Oh! Gabriel. Oh! Gabriel, deixa de ser Escroto.

 

Antero Pereira Filho

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Lido 671 vezes Última modificação em Sexta, 03 Janeiro 2014 21:22
Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nascido no Aracati em 30 de novembro de 1946, foi o terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva. Viveu sua infância em Icapui onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta. Em 1957, ingressou no Grupo Escolar Barão de Aracati. Em 1974, casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e deste matrimônio nasceram os filhos Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira.

 

Em 1976 graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN. Atuou à frente do Instituto do Museu Jaguaribano como presidente, função que exerceu em duas diretorias (1976 1979/1982-1985). Foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996) período em que assumiu a pasta da Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.

 

A história e a memória da cidade e do povo aracatiense constituem objetos de seus estudos amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local em que colabora desde 1975. Em 2005 a crônica "O Amor do Palhaço", de sua autoria, foi adaptada para o cinema em um curta metragem (15") homônimo com direção de Armando Praça Neto,

 

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)

Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)

Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009) 

A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)

Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)

Aracati era assim (Inédito)

Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

 

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