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RUA GRANDE, ARACATI - CEARÁ. Foto dos anos 40. RUA GRANDE, ARACATI - CEARÁ. Foto dos anos 40. Acervo Folha do Aracati

O QUE ALGUNS HISTORIADORES DISSERAM DO ARACATI

Escrito por  Leônidas Cavalcante Fernandes Sábado, 30 Abril 2016 09:06

Revista do Instituto do Ceará, Tomo CXX, Ano CXX, Volume 120, edição de 2006, página 155 e seguintes, nos presenteia com resgates históricos sobre o Aracati, escritos por alguns historiadores, por todos respeitados. Mesmo porque o Instituto do Ceará, a mais respeitada instituição cultural do Ceará, só publica assuntos sérios de comprovada credibilidade.

 

Como somente uma ínfima parte da população se interessa pela leitura da citada Revista, tomamos a iniciativa de reproduzir alguns trechos para que o povo — especialmente os jovens estudantes — tenham conhecimento de como era o Aracati e qual a sua influência para todo o Estado do Ceará.

 

 

[...]

 

Mas, vamos ao que os historiadores disseram quando o Aracati, na ordem de importância do Estado, era classificado como em 1º. Lugar e pela função de base como comercial/administrativa/serviços. Na mesma época, Fortaleza recebia a classificação 3º. Lugar e função de base apenas administrativa. Ou seja, Fortaleza vinha depois de Icó, Sobral, Crato, Camocim, Acaraú e Quixeramobim, nessa ordem.

 

Eustógio Wanderley Correia Dantas, PhD, Prof. do Departamento de Geografia da UFC — Universidade Federal do Ceará:

 

"Os centros urbanos representados pelas cidades de Aracati, Icó e Sobral, com função comercial, administrativa e de serviços, e Crato com função agrícola, administrativa e industrial, exerceram papel preponderante no quadro socioespacial do século XVIII, resultando a força destes centros das ligações estabelecidas principalmente com Pernambuco.

 

A primeira cidade, Aracati, dispunha de porto marítimo mais próximo de Pernambuco e de Salvador, situando-se à jusante do rio Jaguaribe — ao longo do qual foi construída a Estrada Geral do Jaguaribe. Ela torna-se, antes mesmo de receber o status de cidade em 1748, centro do espaço de produção de carne seca, evidenciado na construção das primeiras oficinas de carne".

 

 

Eustógio em seu brilhante trabalho transcreve relatos escritos por alguns historiadores, que abaixo reproduzimos, sem tirar e nem pôr uma vírgula.

 

De Silva Paulet:

 

“... situada à margem do rio Jaguaribe, 3 léguas distante da Costa. É a mais opulenta da capitania, de mais população dentro da Villa, e aonde se acham as cazas de sobrado; o que é devido a ser ponto de embarque das produções de algodão e solas do seo termo, das Villas das Russas ou de São Bernardo, Campo Maior e de todo o Jaguaribe, e da Villa de Monte-mor o Novo, em parte. Consequentemente é o porto de desembarque dos gêneros, que de Pernambuco vem para este lado da capitania".

 

De João Brígido, que afirmava:

 

"Aracati continha nos seus muros uma população de mais de 20.000 almas, sendo de 5.333 de seu termo e freguesia. Apurava uma grande renda municipal, tinha quatro templos, casa de Câmara a melhor, mais asseada e mobiliada da capitania; casa de Inspeção de algodão, melhor que a da capital; um açougue magnífico, dizia ele, o melhor que tinha visto. Eram dignas também de atenção naquela vila as casas dos principais negociantes [...] Como ficavam na rua principal, de grande extensão e largura, faziam um perspectiva multo agradável. Estes negociantes em número não pequeno, eram não só os mais ricos, como também os mais polidos e bem-educados da capitania"

 

 

 

De Azevedo Montaury, então Governador da Província, que afirmava em 1787:

 

"Das vilas todas da Capitania só esta do Aracaty merece o nome, e até os mesmos habitantes della, ou porque sejam a maior parte delles forasteiros, que vem de outras partes trazerem o seu negócio, ou porque a Providência assim o permite, são os mais quietos e pacíficos d'esta Capitania."

 

De Antônio Bezerra, na segunda metade do século XIX:

 

“... a maior parte das casas e sobrados são vistosos e elegantes, sendo sua construção admiravelmente sólida. Os sons de piano por toda parte, o rumor e atividades comerciais, certa correção nos trajes, um pouco mais que asseio no arranjo interno das habitações, agitação, vozeria [...] tudo anuncia que se chega a uma terra laboriosa e civilizada. "

 

O professor Eustógio Wanderley também registra, em seu artigo da Revista do Instituto do Ceará, relato de notas de viagem do historiador L.F. Tollenare, que diz sobre a Capital, Fortaleza, naquela época:

 

L.F.Tollenare, em sua obra intitulada Notes dominicales:

 

“... 1.100 a 1.200 habitantes; seu porto é péssimo, a ancoragem não oferece as mesmas garantias que aquele de Pernambuco, porque o recife de pedras, submerso em alto-mar, permite que as ondas atinjam as embarcações. As secas, um péssimo porto, os rudimentos meios de comunicação com o interior, são obstáculos à prosperidade do Ceará, que [...] poderia produzir algodão e não açúcar."

 

Esta pequena amostra histórica, nos leva a compreender o "porquê" do orgulho de muitas pessoas idosas de terem nascido no Aracati. Creio que ainda é o espírito aristocrata que passou de pai para filho há mais de 200 anos! Não era à-toa que as pessoas humildes, naquela época, evitavam andar na Rua Grande hoje — Cel. Alexanzito), pelo desconforto de ver tanta gente bem vestida naquele logradouro. Era a pressão psicológica e subjetiva da aristocracia aracatiense!

 

Fonte:

FERNANDES, Leônidas Cavalcante. O QUE ALGUNS HISTORIADORES DISSERAM DO ARACATI. In: FERNANDES, Leônidas Cavalcante. Retalhos da História. Fortaleza: Abc Editora, 2009. p. 19-22.

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Lido 427 vezes Última modificação em Sábado, 30 Abril 2016 09:29

1 Comentário

  • Link do comentário Luiz Bilal Sábado, 30 Abril 2016 10:19 postado por Luiz Bilal

    Fico muito feliz com esse presente q vcs nos dão ao publicar retalhos tão especiais de nossa história aracatiense. É como se eu estivesse entrando em um túnel do tempo. Lua Cheia, parabéns por trabalho de resgate.

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