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DR. EDUARDO ALVES DIAS DR. EDUARDO ALVES DIAS acervo Eglantine Lima

EDUARDO DIAS: MÉDICO, POETA E TEATRÓLOGO

Escrito por  Leônidas Cavalcante Fernandes Sábado, 20 Agosto 2016 19:14

O grande médico obstetra Dr. Eduardo Alves Dias (1882-1976) [...], tinha todo o seu tempo ocupado com as atribuições de sua especialidade.

 

Por ser altamente solicitado também pela população de Jaguaruana e de Russas viu-se na contingência de dar expediente nas duas cidades, pelo menos uma vez por semana. Sua filha Maria de Lurdes Dias, formada em Farmácia, era sua auxiliar e o acompanhava em suas andanças.

 

Era uma vida atribulada, mas quem conhecia a sua calma e fala mansa, ficava intrigado por nunca tê-lo visto nervoso ou a reclamar de tanta solicitação. Numa noite os dois atenderam a três parturientes em lugares diferentes e relativamente distantes entre si. Obviamente, não dormiram.

 

A todos transmitia segurança profissional e paz. Acrescente-se às suas atividades profissionais, a grande responsabilidade familiar, pois tinha 21 filhos! Qualquer pessoa ficaria nervosa em tais circunstâncias, mas o Dr. Eduardo era feito de massa especial, raramente encontrada no ser humano.

 

Pois bem, este homem extraordinário, talvez considerando poucos os seus afazeres, resolveu escrever peças de teatro com música e letra composta por ele! Imaginem só: diálogos, poesias e danças! Mencionarei apenas uma.

 

A história da qual falarei a seguir envolvia mais de 30 figurantes. A peça tinha como autor, roteirista, organizador, compositor e diretor uma só pessoa, o Dr. Eduardo. Era um pastoril com inúmeros quadros, sendo o primeiro o da Anunciação (o anjo e Maria); seguiam-se O Sonho de José e a Visitação de Maria a Isabel. E assim, prosseguiam os quadros.

 

O quadro Os Pastores a Caminho de Belém era muito musicado, com um pastor que se apaixona por uma jovem pastora e, na viagem, encontram outras pessoas que também querem ir a Belém. Até uma cigana aparece naquela cena, onde se dança muito (a estrela era Eunice Figueiredo, filha do Major Bruno). Havia muitos outros quadros, onde apareciam os personagens Herodes (estrelado pela Maria de Lurdes Dias) e Lúcifer (Amaury Gurgel, filho do José Fernandes). Posteriormente, Amaury foi substituído pelo Ernesto Gurgel Valente.

 

A peça foi levada ao palco em fins de 1930, exibindo-se no início do ano seguinte em Itaiçaba, Russas, Mossoró, Cascavel e, em fevereiro de 1931, no Teatro São José, em Fortaleza. A finalidade das apresentações era arrecadar dinheiro para o Colégio São José.

 

Onde se apresentavam, aqueles artistas amadores faziam sucesso absoluto!

 

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Lido 581 vezes Última modificação em Sábado, 20 Agosto 2016 19:31

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