Estilo Lima
Fernandinho. Presidente do bloco Loucos da Praça-2018. Fernandinho. Presidente do bloco Loucos da Praça-2018. Silvanise Ponciano

BLOCO LOUCOS DA PRAÇA: ALEGRIA E TRADIÇÃO DO CARNAVAL ARACATIENSE

Escrito por  Quarta, 14 Fevereiro 2018 10:55

O que torna o Bloco Loucos da Praça na representação fiel da espontaneidade do carnaval aracatiense? Ao longo de décadas a agremiação se fortalece na alegria e irreverência de seus brincantes e a cada ano alia novos foliões que teimam em seguir na folia mesmo na quarta-feira de cinzas.


O carnaval se sustentaria somente com a alegria dos seus brincantes? Contrariando toda expectativa especulativa, sim. Prova inconteste dessa afirmação é o entusiasmo, criatividade e nonsense, combustíveis necessários à folia do bloco carnavalesco "Loucos da Praça" da cidade de Aracati, Litoral Leste do Estado do Ceará. Encravado no mais tradicional reduto do carnaval aracatiense, o bloco se orgulha em ter nascido no mesmo lugar em que surgiram importantes nomes da tradicional folia aracatiense, entre os quais: Barra de Aço; Nogueira Ponciano; Chico Baleia; Gustavo Jiló, só para citar alguns.


Nem bem termina a folia momina e o carnaval em Aracati abre alas para o mais alegre e inusitado bloco denominado "Loucos da Praça". A agremiação nasceu, em 1997, numa quarta-feira de cinzas quando alguns comerciantes, limitados ao trabalho durante a folia oficial, resolveram se esbaldar saindo em pleno meio-dia pelo centro comercial de Aracati.
Pode-se dizer que estava criado, extraoficialmente, um novo espaço para a folia na Terra dos Bons Ventos. Neste contexto, o bloco, ao longo de sua existência, foi ganhando outros adeptos entre os quais moradores do bairro e da cidade, além de turistas que descobriram esse recanto genuíno da irreverência cearense no carnaval. O mais importante, contudo, é constatar que a quarta-feira de cinzas mais louca do carnaval se pauta pela participação de todos quantos queiram contribuir. Não é exagero afirmar que o segredo de tão vivaz existência se deve ao descompromisso de seus integrantes em eleger um "dirigente" do bloco. O protocolo máximo da agremiação é a eleição do seu presidente, o louco-mor que reinará por um ano descompromissadamente e nada mais.


É preciso ressaltar que o bloco resulta de herança cultural calcada em vasta tradição. Se a real motivação para tamanha originalidade for a existência há tempos de outros eventos culturais, então o bloco seria o resultado desse caldeirão cultural composto de presépio, pastoril, fandango, reisado e boi. Ora, essas influências mostram que os "Loucos da Praça" dão continuidade às manifestações tradicionalmente populares da cultura aracatiense.


Confirmando o que foi apresentado, são evidências dessa tradição cultural, por exemplo, os brincantes e agremiações surgidas no entorno da Praça Dom Luis, reduto do bloco, entre os quais podemos citar o brincante Barra de Aço, responsável pela fundação da Escola de Samba Caveira, e de Maria Bahia, responsável pela fundação do Bloco Baianinhos A&B.


Essas referências culturais alicerçam a essência do bloco. Trata-se de um passado revisitado a cada ano de folia em que a inventividade da agremiação se respalda em reviver os saudosos vultos em marchinhas entoadas pelos brincantes.


Gustavo Jiló, compositor e músico aracatiense, foi importante nesse resgate da memória local quando evidenciou em suas canções a memória das pessoas e brincantes do lugar. Após seu falecimento, em 2007, o citado compositor passou a figurar na galeria dos célebres nomes do bairro numa clara demonstração de continuidade à essa tradição.


Em meio à irreverência mesmo quando se autodenominam "Loucos da Praça" há muito de lucidez nas ações dos brincantes. Isto se pode verificar nas ações de resgate da memória de seus antepassados e na clareza de que a manutenção do bloco, como tradição, revigora a identidade de seus representantes.


É preciso ressaltar que a existência do bloco Loucos da Praça é a persistência da memória coletiva do lugar. Desde a motivação para a criação do bloco numa quarta-feira de cinzas até a sua manutenção com a presença marcante da agremiação em nosso carnaval, o coletivo é um exemplo claro da tradição carnavalesca aracatiense.


Tradição, irreverência e alegria são palavras que bem traduzem o bloco "Loucos da Praça". Sua história é a história dos brincantes da Terra dos Bons Ventos alicerçada no tradicional bairro de Fátima. Conhecer a sua história, vivenciar os seus festejos é se aproximar da alegria e inventividade do povo aracatiense.

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Lido 122 vezes Última modificação em Quarta, 14 Fevereiro 2018 11:14
Marciano Ponciano Virginio

Sou natural de Aracati-Ce, terra onde os bons ventos sopram. Na academia da vida constitui-me poeta, realizador de sonhos, encenador de máscaras. Na academia dos saberes acumulados titulei-me professor de Língua Portuguesa e especializei-me em Arte-Educação. O projeto de vida é semear a arte por onde passe: teatro, poesia, artes plásticas- frutos da experiência acumulada em anos dedicados a ser feliz. Quando me perguntam quem sou - ator, poeta, encenador, artista plástico, educador? Afirmo: - Sou poeta!

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