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A voz de todos os aracatienses

Escrito por  Quarta, 12 Abril 2017 11:00

A nossa herança cultural é toda a gente aracatiense. Nossas histórias dizem muito sobre quem somos, e somos essencialmente um povo que se expressa pela arte. Que o digam os que chegam a essa terra e são recebidos com gentileza e acolhimento, a configurar o traço cultural dessa gente hospitaleira. Há, também, aqueles que sequer pisaram em nosso torrão natal e, mesmo assim, sabem muito de nós! Tanto que não há como apagar as linhas traçadas no diluir do tempo. Séculos de tradições culturais. 

O barroco de nossas igrejas, o estilo colonial de nosso patrimônio histórico são provas incontestes de uma cidade que se expressa fortemente pela cultura. Mesmo quando não havia edifício teatral, eram inúmeras as agremiações teatrais. Foi da terra aracatiense que movimentos de projeção nacional nutriram ânimos os quais culminariam com o fim da escravidão no Ceará e o início da república em nosso país. O canto dessa gente semeou a revolução e se fez forte na literatura. 

 

Mesmo após findarem os ciclos econômicos que nutriram o passado áureo de nossa cidade, a cultura manteve-se forte. Onde parecia impossível, o teatro, as artes visuais, a música, a dança e tantas outras expressões artísticas sobreviveram aos distratos de discursos meramente populistas e à completa ausência de apoio. Manteve-se firme o gene cultural. Os discursos dos sucessivos mandatários usufruíram e usufruem da cultura como recurso retórico por saberem que quem os ouve valoriza o discurso daqueles que dizem valorizar a nossa gente e cultura. Passada a euforia dos palanques... falácia, nada mais.

 

O rei soberano mandou contrariar o povo. Decreta que não apoiará a cultura. A lei, à revelia dos fatos, nasce morta. Por não representar a vontade popular mesmo travestida de sentimento populista. E a história, sempre a história, mais uma vez fará perceber que este equívoco se somará a tantos outros. Necessitamos de arte, de cultura porque somos aracatienses. Porque nossa história não pode ser esquecida! Com tantos atores sociais não há como suplantá-la. 

 

Somos herdeiros de Adolfo Caminha, de Jacques Klein, Júlio César da Fonseca, Victor Augusto Nepomuceno, Emília Freitas, Eduardo Dias, Francisca Clotilde, Raimundo Herculano de Moura... de muitos. A voz dos que fazem teatro de rua, dos que cantam, dos que pintam, dos que escrevem, dos músicos. A voz de todos os aracatienses.

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Lido 519 vezes Última modificação em Quarta, 12 Abril 2017 11:09
Marciano Ponciano Virginio

Sou natural de Aracati-Ce, terra onde os bons ventos sopram. Na academia da vida constitui-me poeta, realizador de sonhos, encenador de máscaras. Na academia dos saberes acumulados titulei-me professor de Língua Portuguesa e especializei-me em Arte-Educação. O projeto de vida é semear a arte por onde passe: teatro, poesia, artes plásticas- frutos da experiência acumulada em anos dedicados a ser feliz. Quando me perguntam quem sou - ator, poeta, encenador, artista plástico, educador? Afirmo: - Sou poeta!

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