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20 anos de Paixão de Cristo PDF Imprimir E-mail
Por Marciano Ponciano   
01 de março de 2008
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Primeira montagem em 1989.
A Paixão de Cristo encenada pelo Grupo Frente Jovem, tornou-se parte do calendário cultural do município de Aracati durante a celebração da Semana Santa. Há 20 anos o grupo desenvolve este trabalho. A trajetória do espetáculo inclui diversas montagens cada uma com particularidades muito curiosas.  A entrevista com o professor Tinoco Luna, fundador do Grupo Frente Jovem, inicia um ciclo de matérias relacionadas a atividades culturais desenvolvidas durante a Semana Santa.

Quando surgiu a idéia de montar a peça “Paixão de Cristo?”. Houve alguma motivação?

Inicialmente diria que me sinto honrado em conceder essa entrevista para o site de uma organização de indiscutível importância e credibilidade como é o Grupo Lua Cheia de Teatro e para um ativista cultural do nível de um Marciano Ponciano.  Bom, a idéia de montar a “Paixão de Cristo” partiu do Grupo Teatral Frente Jovem, exatamente em 1989, quando montamos a primeira apresentação desse espetáculo. O que nos motivou a tomar essa iniciativa foi a proposta de fazer um espetáculo que levasse grandes platéias para o teatro e, ao mesmo tempo, oportunizasse o surgimento de novos artistas cênicos.

Onde foi encenada a primeira montagem? Quem eram os atores? Há registro fotográfico?


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Frente Jovem. 1990.
A primeira montagem foi encenada no auditório do Colégio Marista exatamente há 20 anos atrás. Os principais atores daquela primeira montagem eram: Lúcio Reis no papel de Cristo, Batista Sena no papel de Pilatos, Carlos Garcia no papel de Herodes, Yane Sampaio (atual Secretária de Turismo, Cultura e Meio Ambiente do Aracati) no papel de Maria, Erivanda Nunes no papel de Madalena, Márcia Santos no papel de Claudia, Sonia Santos e Josy Silva no papel de guardiãs, Nélio Falcão e Ednar Silva no papel de príncipes, Ivanildo Pereira no papel de Anás, Genildo Calheiros no papel de Caifás, Lois Filhos, Enilson Borges, Noélio e Babita no papel de soldados, Valdeci Sousa no papel de apóstolo, Potiguar no papel de Barrabás, Erivando Braga no papel de Judas, Lázaro Silva no papel do apóstolo João, Arnaldo Lima no papel do apóstolo Pedro, Etinho no papel de ladrão e eu fazia o papel de quem chegasse atrasado.

Qual a cronologia da peça “Paixão de Cristo?”. Relate-nos os locais de encenação, atores que interpretaram o papel do Cristo e direção.

Em 1989 e 1990 a peça foi realizada no auditório do Marista. Em 1991 e 1992 era feita a primeira parte na rua grande e a segunda parte no Cine Moderno, atual teatro Francisca Clotilde. De 1993 a 1997 foi feita totalmente na rua, sendo que em 97, além da rua usamos a frente das igrejas Matriz, Rosário e dos Prazeres. De 1998 a 2000 foi realizada no Ginásio Marista; De 2001 para cá tem sido feita no largo da Matriz.    Os atores que já interpretaram Cristo nesses vinte anos foram: Lúcio Reis em 1989, 1990, 1998, 1999 e 2000; Ênio Módena em 1991, Marciano Ponciano em 1992, Nélio Falcão em 1993, Lindiberto Batista em 1994, Marquinhos do Pedregal em 1995, 1996 e 1997, Flávio Módena em 2001 e 2002, Victor Silva em 2003, 2004 e 2005 e Marcos Oliveira em 2006 e 2007. A direção de 1989 a 1992 foi minha, de 1993 a 1997 foi de Valdeci Sousa, em 1998 foi de Júnio Santos, de 1999 a 2000 de Lázaro Silva, de 2001 a 2003 foi de Lois Filho e de 2004 para cá tem sido de Xico Izidoro.

Como era construída a dramaturgia do espetáculo? Quem adaptava os textos para o teatro? Originalmente qual era o nome do texto?

O nome original do espetáculo era “A Paixão de Cristo”. Depois passou a se chamar “A Paixão de Cristo do Aracati”, no ano passado chamou-se “Nova Palestina – Paixão de Cristo em     Aracati” e esse ano vai se chamar “A Paixão de Cristo do Aracati – 20 anos de paixão”. O texto ao longo desses 20 anos, tem sido sempre adaptado por este que lhe concede essa entrevista.

Quem era o responsável pela cenografia e que materiais eram utilizados para esse fim?

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Frente Jovem. 1991.
Para responder essa pergunta vamos dividir a história da “Paixão de Cristo” em três fases: a primeira, de 1989 a 1997, podemos chamar de fase heróica, quando não contávamos com apoio de ninguém para realizar o espetáculo; neste período o material que usávamos para fazer os cenários eram palha de coqueiro, saco de cimento, plástico preto, latas velhas, sacos de açúcar, papel celofane, quenga de coco, pedras enormes que trazíamos lá do dique além de outras bugigangas; Nessa época os nossos cenógrafos eram os artistas Batista Sena e Formiguinha.  Na segunda fase de 1997 a 2003, quando passamos a receber uma pequena ajuda do então prefeito José Hamilton, a situação melhorou um pouquinho e chegamos inclusive a contratar o artista plástico Ricardo Freitas para montar nossos cenários; Na terceira fase, de 2004 para cá, quando temos conseguido aprovar nosso projeto no Ministério da Cultura e no Governo do Estado, a confecção dos cenários tem ficado a cargo de Xico Izidoro, atual diretor da peça.

Havia sonoplastia? Como ela acontecia? Quem era o responsável?


Quando passamos a fazer na rua esse tipo de iluminação virou um problema. A luz aquecia e quando caía um pingo de chuva em cima a lâmpada pipocava.

A sonoplastia ao longo desses vinte anos tem ficado a cargo de Neto Nascimento. O Neto é um verdadeiro patrimônio do Frente Jovem. Eu e ele somos as duas únicas pessoas que participou de todas as apresentações da peça. Começamos gravando fitas k7 num gravador velho que havia no antigo Clube 7 de setembro. Quando a peça passou a ser dublada, passamos a gravar nos estúdios de algumas emissoras de rádio da cidade. Passávamos madrugadas inteiras gravando já que esse era o único horário no qual as rádios estavam fora do ar e deixava espaço para que fizéssemos as gravações. Fizemos esse trabalho na Vento Leste, na FM Canoa e na Paraíso FM.

Como era a iluminação do espetáculo?

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Frente Jovem. 1992.
No começo eram lâmpadas comuns, dessas de 100 velas, em torno das quais enrolávamos papel celofane para dar cores diferentes. Quando passamos a fazer na rua esse tipo de iluminação virou um problema. A luz aquecia e quando caía um pingo de chuva em cima a lâmpada pipocava. Em 94 pipocaram quase todas e o espetáculo terminou quase no escuro. Para nossa surpresa, nosso público fiel disse que ficou até mais bonito, pois a penumbra criou um clima de mistério. Coisas da boa fé do nosso povo. Depois passamos a contratar a iluminação de algumas bandas musicais da cidade. Atualmente nós contratamos uma iluminação profissional de Mossoró.


Quem era o responsável pelo figurino?

O primeiro responsável fui eu mesmo juntamente com Batista Sena. Depois veio Formiguinha, Marta Rocha e atualmente é feita por uma equipe composta por Carla Adriana, Michele Cristiane e Raiane.

Em que ano ocorreu a primeira montagem da peça para o espaço misto (palco e rua) de encenação?

A primeira vez que usamos espaço misto, incluindo rua e palco, foi em 1991. Saíamos da frente da Igreja do Bomfim, caminhávamos pela rua grande com as luzes apagadas e tochas acesas até a praça Dr. Leite. A partir daí fazíamos o restante da peça no palco do Cine Teatro Moderno. Como o público era enorme, chegamos a fazer o espetáculo três vezes numa só noite, isto na parte de palco, fato que deixava os atores completamente esgotados fisicamente.

O que levou o grupo a tomar esta decisão?

O que nos levou a tomar essa decisão foi o surgimento, em 1991, de um outro espetáculo da Paixão de Cristo, o que nos motivou a fazer algo que marcasse a diferença.

Como o público era enorme, chegamos a fazer o espetáculo três vezes numa só noite, isto na parte de palco, fato que deixava os atores completamente esgotados fisicamente.


A partir de que ano a peça passou a utilizar apenas o espaço da rua?

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Frente Jovem. 1992.
Foi em 1994 que nós resolvemos fazer a peça totalmente na rua, já que nenhum espaço fechado da cidade comportava aquele público que aumentava a cada ano.

Houve algum ano em que o espetáculo não fora realizado? Em caso afirmativo relate-nos os motivos.


O Grupo Teatral Frente Jovem nunca deixou de realizar “A Paixão de Cristo” desde quando esta teve inicio em 1989. Agora em 2008 serão vinte anos de apresentações consecutivas. Com ou sem apoio não falhamos um só ano.

Em que ano houve a ruptura no elenco original do grupo, fato que trouxe para cena aracatiense duas montagens da Paixão de Cristo?

A ruptura do elenco aconteceu em 1991, quando nós realizamos a terceira edição do espetáculo. Naquele ano, alguns atores resolveram fundar um novo grupo de teatro e apresentar outro espetáculo.

Como o grupo avalia aquele momento?

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Frente Jovem. 10 anos.1998.
Hoje, observando com mais tranqüilidade, vemos que a ruptura foi um processo natural que se deu em conseqüência do crescimento que o teatro do Aracati vinha experimentando naquele período, processo de crescimento esse que era alimentado pelo próprio Frente Jovem.  Menos de seis meses antes da ruptura, em setembro de 1990, o Frente Jovem tinha organizado o I FESPRIM (I FESTIVAL PRIMAVERA DE TEATRO AMADOR) exatamente com o objetivo de proporcionar o surgimento de outros grupos de teatro no Aracati. Foi no I FESPRIM que surgiu o Grupo Vozes da Cultura, formado por locutores da Rádio Cultura, o qual no ano seguinte veio a se transformar no Grupo Cenas, dissidência do Frente Jovem que passou a apresentar um outro espetáculo da Paixão de Cristo, a partir de 1991.

 

Gostaria apenas de aproveitar para esclarecer que hoje nós não temos absolutamente nada contra nossos amigos do Grupo Cenas, entidade que reconhecemos como uma das mais importantes da vida cultural aracatiense. Isso aconteceu há 18 anos e as desavenças que se sucederam naquele momento foram coisas da nossa juventude, episódios totalmente já superados há muito tempo. Hoje, eu particularmente, sou amigo e tenho a maior consideração pelo Professor Fernando, Lázaro Silva, Lúcio Reis, Carlos Garcia, Clécio, Isidoro, Adrian Carlos, Apolinário, Hebert e todos os demais que fazem o Grupo Cenas.

Na história da encenação da paixão de cristo houve várias iniciativas no intuito de constituir um único espetáculo composto por diversos grupos. Em que ano isso aconteceu? Porque a experiência não obteve êxito?

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Frente Jovem.2006.
É verdade. Diversas vezes foi tentado fazer uma Paixão de Cristo com a participação de diversos grupos teatrais. Isso foi nos anos de 1998, 1999 e 2000. Acredito que a experiência não obteve êxito devido às diferenças de concepção cênica, o que é  natural em se tratando de teatro. Os grupos eram muito fortes e  já haviam desenvolvido cada um a sua identidade própria. Alguns achavam melhor fazer a peça no palco, outros achavam melhor na rua; uns achavam que era melhor apresentar o texto dublado para o som chegar alto e claro ao público, outros achavam que dublado perdia a naturalidade; uns achavam que alguns atores deveriam estar sempre nos mesmos papéis, outros achavam que devia haver  renovação... e por aí vai. Não quero aqui apontar quem estava certo ou errado, mas  foram divergências de opinião desse nível, coisa muito natural entre pessoas inteligentes como são atores e atrizes, o que fez com que a idéia não prosperasse. Que seja assim então!. Cada um faz o seu espetáculo e, no fim das contas, quem ganha é o público que fica com mais opções na semana santa.

Relate-nos os “cacos” e fatos curiosos ocorridos nas diversas montagens da “Paixão de Cristo”.

Ah, essa parte é boa e daria um livro. Por uma questão de espaço vou relatar aqui apenas três fatos curiosos, dessa já longa história da Paixão de Cristo:
    
História I

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Frente Jovem. 2006.
Genildo Calheiros, um dos maiores atores da Paixão de Cristo de todos os tempos e grande humorista, ia fazer o papel do diabo na cena da tentação  de Jesus. Nesse ano, nós íamos sair pela rua grande, com luzes apagadas e tochas acesas no trecho do Bomfim à Praça Dr. Leite. A direção da peça, a cargo de Valdeci Sousa, definiu a ordem em que ia sair o cortejo: na frente seria Jesus montado num jumento, depois Maria e as guardiãs, depois os apóstolos, depois os príncipes e sacerdotes, depois Pilatos e Herodes e, por último, Judas com os soldados... Surgiu então um problema: onde iríamos colocar o diabo? Genildo, que faria o cão, com todo seu senso de humor, foi quem deu a melhor idéia: o diabo  sairia bem na frente de Jesus, assim uns 100 metros de distância, andando sempre com passos apressados; ele dava uma arrancada, ganhava uma boa dianteira e, quando se via bem distante, dava uma parada e ficava aguardando o cortejo escorado no seu tridente. Quando a caravana com Jesus a frente se aproximava ele dava outra arrancada e depois parava de novo e, assim, sucessivamente...  De repente, um grupo de cerca de umas 100 crianças percebeu aquela cena estranha e resolveu seguir o demônio, como se Genildo estivesse fazendo papel de palhaço... Só que a garotada quando viu que se tratava de um palhaço demoníaco, resolveu cobrir diabo na pedrada... Para escapar sem ter que abandonar o papel, Genildo teve que terminar todo o percurso se escondendo atrás dos postes da rua grande para se livrar das pedradas...  Até hoje nós parabenizamos o Genildo pelo seu desempenho no papel e principalmente pela sua coragem.  Mas que foi engraçado foi!

História II
 
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Frente Jovem. 2006.
Babita foi o principal soldado da fase heróica da Paixão de Cristo, quando nós iniciamos lá pelos idos de 1989. Uma verdadeira marra de homem e dono de uma voz potente, ele era um dos símbolos da raça que o Frente Jovem teve que demonstrar naquele tempo para fazer uma grande peça sem apoio de ninguém. Babita era, como ainda é, gente muito boa, porém, infelizmente não teve a oportunidade de estudar e dizia muitas palavras erradas. No dia da estréia,  eu que estava na direção, quis enfeitar e disse: - Babita, quando os soldados deitarem Jesus sobre a cruz você diz bem alto: - PREGUEM O CRISTO REI! Naquele ano o Cristo era Lúcio Reis. Quase me arrependi quando pensei na semelhança das palavras: Cristo Rei... Lúcio Reis... ele vai misturar tudo, quer ver?... Mas a peça já ia começar e eu deixei; Ora, não deu outra: quando os soldados jogaram Jesus sobre a cruz, Babita não “contou pipoca” e soltou o seu vozeirão: _ SOLDADOS APREGUEM O CRISTO REIS... Além de confundir  CRISTO REI com Lúcio REIS, Babita ainda inventou o verbo APREGAR.  Babita agora reside em Limoeiro e há mais de 10 anos está impossibilitado de participar da peça. Aqui ou acolá quando vejo ele, pergunto: E aí Babita, não vai participar esse ano não? Ai ele dar uma risada e diz só se for PRA APREGAR O CRISTO REIS DE NOVO.

História III

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Frente Jovem. 2006.
1990 foi o segundo ano de apresentações da Paixão de Cristo e última vez fizemos no auditório do Marista. Na quinta feira santa tinha sido casa cheia. Estávamos todos empolgados e queríamos fechar com chave de ouro na sexta, quando a repercussão da quinta certamente traria um público ainda maior. Faltando meia hora para começar o espetáculo, tive a infeliz idéia de levar para o Marista uma caixa de isopor com gelo e dois garrafões de vinho; Íamos comemorar depois do espetáculo. Escondi lá a caixa e voltei em casa para pegar ketchup para Batista Sena fazer o sangue do Cristo. Retornei quando faltavam 5 minutos para começar a peça e quase não consegui entrar no auditório devido à multidão que já estava lá toda em silêncio. Dei uma olhadinha lá atrás do palco para conferir as coisas quando me deparei com algo estranho: a caixa de isopor estava com a tampa aberta e aí, pensei: Será que mexeram no vinho?    Quando fui ver era o canto mais limpo; na caixa só tinha a água do gelo que havia dissolvido.  Disse para mim mesmo: aqui tem coisa errada. Na história que eu conheço Jesus transformou água em vinho, mas aqui alguém transformou vinho em água. Nisto ouvi os aplausos da platéia: era a peça que estava começando. Tudo ia muito bem até que chegou a hora de tirar Jesus e os ladrões das cruzes, todos já mortos. Havia-se combinado que, depois que se soltassem as mãos e os pés dos ladrões, eles de olhos vendados tombariam para frente e dois soldados, devidamente treinados, seguravam o ladrão para depois coloca-lo no chão. Essa cena foi ensaiada mais de cem vezes; não tinha como dar errado.  Um dos ladrões era Erivando Braga, um dos melhores atores do teatro aracatiense.  Os soldados soltaram as mãos e os pés de Erivando conforme ensaiado. Só que, na hora de segurá-lo quando ele tombou, os dois soldados deram uma vacilada e Erivando caiu com todo corpo no chão batendo com a cabeça sobre uma pedra que fazia parte do cenário. Erivando caiu e ficou lá quietinho, deixando todos nós apavorados: ou ele tinha desmaiado ou era um ator de mão cheia. Antecipamos o final do ato, fechamos a cortina rapidamente e corremos para socorrer nosso companheiro. Felizmente não tinha acontecido nada; Erivando tinha feito apenas mais de suas grandes performances. Graças a Deus nada tinha acontecido. Passado o susto eu juntei as coisas: O vinho desapareceu, os soldados erraram a cena...  Estava finalmente explicado o milagre da transformação do vinho em água que eu presenciei antes de começar a peça.   

Qual será a programação da Paixão de Cristo para este ano?

Esse ano a programação da Paixão de Cristo é a seguinte: Apresentações na quinta e sexta-feira da semana santa, dias 20 e 21 de março, a partir das 20:00h, totalmente ao ar livre, no largo da Matriz. O Grupo Teatral Frente Jovem fará uma simples, porém justa homenagem a todos os atores e atrizes que participaram da Paixão de Cristo ao longo desses vinte anos de trajetória. Todos eles já fazem parte da gloriosa história do teatro aracatiense e ficarão para sempre na memória e no coração do nosso povo. Isso não tem dinheiro do mundo que pague.

Entrevista cedida por Tinoco Luna a Marciano Ponciano em 25 de fevereiro de 2008.

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