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Museu Jaguaribano PDF Imprimir E-mail
Por Antero Pereira Filho   
22 de outubro de 2009
ImagePor longos cincos anos em que se arrastou a restauração do prédio do Museu Jaguaribano, ficou nosso museu fechado para o público o que agora chega ao seu final nesse Outubro de 2009.

 

Houve noutra época uma situação idêntica, porém com motivo totalmente contrário. Na fase em que permaneceu fechado para a restauração, havia uma esperança concreta de que um dia tudo seria concluído como de verdade agora estamos presenciando. Entretanto no período em que cerrou suas portas por quase igual tempo, o motivo fora político e havia somente uma pequena réstia de esperança de que um dia voltasse a ser aberto, pelo menos no mesmo prédio que abrigava todo o seu acervo.

Um dos mais importantes mentores do Museu Jaguaribano, foi o dedicado Dr. Hélio Idelburque Carneiro Leal, que durante algum tempo foi diretor do SESI – Serviço Social da Indústria – órgão ligado a Fiec – Federação das Indústrias do Estado do Ceará.

O prédio da Rua Cel. Alexanzito nº 743, conhecido como o Sobrado do Barão, pertencia ao SESI e nele morava uma funcionária daquela instituição. Como a funcionária ocupava uma pequena área do prédio o restante do imóvel ficava totalmente ocioso, a partir desta constatação os idealizadores da fundação do museu tiveram então a feliz ideia de instalar nesse histórico e imponente edifício, o Instituto do Museu Jaguaribano decisão apoiada com entusiasmo por Dr. Helio Leal que de pronto, como então diretor do SESI, autorizou a ocupação.

Assim foi instalado o Museu Jaguaribano no Sobrado do Barão e por muitos anos ali permaneceu funcionando.

Numa mudança de direção da FIEC, e havendo Dr. Hélio Leal deixado de ocupar a diretoria do SESI, seu substituto resolveu proibir o funcionamento do Museu no Sobrado do Barão, o que obrigou a referida instituição a fechar suas portas.

A partir de então o Instituto do Museu Jaguaribano – entidade jurídica que funcionava de acordo com seu estatuto e uma diretoria eleita - não pôde abrir suas portas para a visitação pública.

A obstinação do Dr. Hélio Leal era realmente comovente. Todos os meses ele viajava de Fortaleza até Aracati, hospedando-se no simplório hotel aqui então existente, cumprindo um ritual de reunião de diretoria, atas e prestação de contas da tesouraria, numa inflexível persistência própria do seu caráter, para manter o Instituto do Museu Jaguaribano funcionando moral e juridicamente.

Somente depois de vários apelos ao então presidente da FIEC, o nosso conterrâneo Dr. José Flávio Costa Lima, foi que se tornou possível o retorno do funcionamento do Museu.

A diretoria do Museu, algum tempo depois tomava conhecimento de que a causa da atitude do diretor do SESI em relação ao Museu Jaguaribano teria sido uma vendeta, uma vingança contra o Dr. Hélio Leal considerado seu desafeto na política.

Para que isso fosse realmente evitado no futuro, a diretoria do Museu procedeu para que fosse então realizado um contrato de comodato entre o SESI e o Museu Jaguaribano, em que este último torna-se-ía responsável pela conservação e manutenção do sobrado.

Outro fato que marcou consideravelmente a história do Museu Jaguaribano foi a proibição da entrada em seu recinto de homens de bermudas. Essa proibição causou uma acirrada polêmica não somente nas pessoas que visitavam o museu como também entre os próprios componentes que formavam a sua diretoria. Por várias ocasiões, durante as reuniões mensais da diretoria, se discutiu a “tal” proibição e a possibilidade de derrubar esse tabu. Infelizmente, mesmo dizendo que seguiria as decisões tomadas pela diretoria, Dr. Hélio Leal afirmava categoricamente que ele pessoalmente era contra o uso de bermudas no recinto do Museu. Além da definição de Museu, ele considerava o Instituto do Museu Jaguaribano um espaço dedicado a pesquisa e ao estudo. E considerava a bermuda um traje inapropriado e deselegante para visitas a um estabelecimento cultural.

Não é objetivo desse resumido relato, fazer um histórico do Museu Jaguaribano. Mas tão somente relembrar fatos marcantes da vida dessa notável instituição, criada por aracatienses que tiveram a preocupação em preservar os valores culturais e artísticos de nossa terra. Muitos deles ou quase a sua maioria, não mais estão entre nós, mas nem por isso devemos jamais esquecê-los, porém homenageá-los pela realização do sonho transformado em realidade. Com a restauração do prédio do Barão, Aracati contará com um dos melhores espaços culturais do Estado do Ceará.

Que as famílias dos aracatienses de hoje façam como fizeram as famílias de aracatienses na época da fundação do Museu: doem fotos, velhos documentos que nada representam para alguns, mas que para a história sempre serão de grande valor; Quadros esquecidos num depósito, móveis que não mais se usam. Finalmente vamos enriquecer mais ainda nosso museu com novas obras de arte, novas doações e principalmente com nossa presença nos eventos patrocinados pelo Museu. Vamos valorizar e prestigiar o que é nosso. Os órgãos públicos fizeram a sua parte, cabe agora a nós aracatienses fazermos a nossa cuidando daquilo que pertence a todo povo aracatiense.

Antero Pereira Filho é pesquisador e autor dos livros "Histórias de Assombração do Aracati" e "Ponte Presidente Juscelino Kubitschek".



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