Histórias de Assombração do Aracati

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Tradição centenária do carnaval brasileiro encontra registro na cidade de Aracati PDF Imprimir E-mail
Por Grupo Lua Cheia   
11 de fevereiro de 2010
ImageOs registros apresentados em diversos estudos que versam sobre o carnaval brasileiro dão evidências de que o Zé Pereira teria surgido no país por volta de meados do século XIX. O Zé Pereira é uma manifestação tipicamente popular como afirma Felipe Ferreira em seu "O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro": " O ponto comum nas primeiras referências ao zé pereira na imprensa carioca é exatamente o grande barulho produzido pelo grupo de brincantes em desfile, além do seu caráter descontraído e popular".

 

Em Aracati o zé pereira foi introduzido por Nogueira Ponciano, que entre outras coisas participava como animador cultural em diversas manifestações  de caráter popular a exemplo do bumba-meu-boi e a farra de  Judas. Após seu falecimento,Aracati passou longos anos órfão do zé pereira e de tantas outras atividades. Em 2006 um grupo de amigos e familiares motivados por sua filha Nilse Ponciano reavivaram a chama da alegria inerente ao zé pereira. Atualmente o movimento conta com o apoio institucional da Associação Cultural Nogueira Ponciano que assim como fez o resgate do zé pereira terá a missão de trazer a luz de nossos dias outras manifestações populares incentivadas e organizadas pelo Nogueira Ponciano. Este ano a instituição convidou o artista plástico Hélio Santos para realizar a confecção de um boneco gigante em papel mache do saudoso brincante Nogueira Ponciano.

A concentração do zé pereira, como de costume, será na Praça Dom Luis (Praça da Coluna) no sábado de carnaval (dia 13) às 16h, e percorrerá toda a Rua Grande.


E viva o Zé Pereira! Viva Nogueira Ponciano!

 

Saiba mais:

A constatação da existência de uma diversão carnavalesca conhecida como "Zé Pereira" em Portugal do século XIX parece apontar para a forte influência lusitana no surgimento da brincadeira no carnaval carioca. Há uma errônea, mas infelizmente consagrada versão, que atribui a "invenção" do Zé-Pereira a um português de nome José Nogueira de Azevedo Paredes, comerciante estabelecido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Divulgada na maioria dos livros sobre carnaval, essa versão acabou ocultando toda uma série de influências que contribuíram para o surgimento dessa curiosa categoria carnavalesca. As raras referências sobre a tema na literatura carnavalesca são bastante desencontradas. Estas apontam o "surgimento" do Zé Pereira em 1846 (Moraes, 1987), em 1852 (Edmundo, 1987) ou em 1846, 1848 e 1850 (Araújo, 2000).

A principal razão dessa discrepância é o fato de que a categoria "Zé Pereira" só se fixaria anos mais tarde. Na segunda metade do século XIX, o termo era usado para qualquer tipo de bagunça carnavalesca acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos hoje de bloco de sujo. Ferreira (2005) e Cunha (2002) abordaram o tema com profundidade destacando a multiplicidade de forma e conceitos que podiam envolver as diversas brincadeiras chamadas genericamente de Zé Pereira.

Um momento importante na fixação da brincadeira no imaginário da folia carioca seria a encenação, em 1869, de uma burleta carnavalesca intitulada O Zé Pereira carnavalesco. O sucesso da apresentação — uma espécie de adaptação livre da peça Les pompiers de Nanterre (Os bombeiros de Nanterre) — deveu-se, principalmente, à versão para o português da música-tema francesa que se transformaria num verdadeiro hino carnavalesco, sendo tocado até hoje:

E viva o Zé Pereira.Pois a ninguém faz malE viva a bebedeiraNos dias de Carnaval

A partir daí o conceito da brincadeira do Zé Pereira iria adquirir feições tipicamente brasileiras (e cariocas) associando-se à alegria característica das ruas da folia no Rio de Janeiro. O passo seguinte seria a "oficialização" do Zé Pereira através do estabelecimento de sua genealogia e de sua morfologia resumidas na obra de Moraes (1987).

Uma curiosidade: na cidade de Ouro Preto, no estado de Minas Gerais, no período do Carnaval, pode-se assistir, ainda hoje, ao desfile de Zé-Pereiras, em forma muito semelhente à tradição portuguesa.


fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Pereira. Acesso em 11 de fevereiro de 2010.
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