Quando Maninho trabalhava no laboratório da SAMA, um belo dia chegou um senhor lá das bandas da Mata Fresca com uma lata de cinco quilos, daquelas de margarina Estrela, enrolada num papel. Maninho, que imaginava ter no conteúdo daquela lata um presente para ele ou para algum médico, mandou que o senhor passasse na frente dos outros que estavam na fila para atendê-lo logo:
— Diga, meu senhor. Deseja falar com alguém?
— Não. Vim fazer exame.
— De quê? De sangue?
— Não, de fezes.
— Já recolheu o material?
— Já, sim senhor.
— Cadê?
— Tá aqui — entregando a lata de margarina Estrela, marejando pela tampa.
— Não precisa disso tudo, não — falou enojado Maninho, segurando a lata até a tampa cheia de merda —, basta um pouquinho.
— Então tire o que precisar e pode ficar com o resto.
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PEREIRA FILHO, Antero. Assim me contaram. — Fortaleza: 2015. p. 103.

