Cada uma dessas associações e bandas musicais predispostas a saudável emulação ou mesmo porfia em merecimento, dá mais a conhecer Ezequiel Silva de Menezes, “primava pelo maior número de figuras, pelas mais ricas e variadas partituras, pelo fardamento rico e elegante e pelo marchar militarmente garboso”. (21, p.10)[1]

E acentua que a competição de relevo e que despertava maior entusiasmo e vibração era a existente entre as duas bandas que se envolviam em manifestações de cunho político-partidário, a Filarmônica Figueiredo e a Charanga 24 de Maio.

O magnífico folheto de Ezequiel Silva de Menezes vem ao encontro da curiosidade dos leitores descrevendo, embora sucintamente, particularidades do original prélio de bandas de música, com simplicidade e graça, rememorando:

Certa vez, quando os ânimos se achavam menos exaltados as duas bandas (“Figueiredo” e “Costa Lima”), atestaram-se em concerto no Teatro Santo Antônio, medindo valor artístico.

O velho e glorioso edifício da rua do Rosário (hoje, Cel. Pompeu, esquina com Barão de Messejana, lado poente, local da Agência Teleceará/Telemar - observação do Autor) não comportou, nesse dia, a assistência que advinha das duas correntes políticas, rabelista e marreta, ou melhor, Figueiredo e Costa Lima.

Os dois grupos desempenharam as partituras mais difíceis e clássicas harmonias, como o Guarani de Carlos Gomes.

Os circunstantes vibravam a cada instante. Salvas e salvas de palmas reboavam, de quando em quando, em ovações a um e outro conjunto.

Quem vitoriou, porém, até hoje não se sabe. Cada aficionado ou partidário afirmava ter sido a sua banda. Só uma eleição, sem bico de pena, poderia decidir, se não houvesse o perigo de um empate...”. (21, p.11)[2]

Não somente em recintos fechados tais pugnas chegaram a ocorrer. Em ruas da cidade, o mesmo espetáculo, se bem que em cores esmaecidas, pôde ser também presenciado, em número diminuto, é certo, dadas as dificuldades e riscos a que ficavam expostos os figurantes.

Insiste, contudo, Ezequiel Silva de Menezes,

“momentos houve... (em seu habitual dia a dia) “que ambas” (as bandas) “como em desafios públicos” (por entre “passeios” da urbe querida...) “tentaram algumas vezes, sustentar prélios musicais, que resultaram (infelizmente...) em grossa pancadaria...”. (21, p.11)[3]

 

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LEAL, Hélio Ideburque Carneiro. Bandas de Música de Aracati – Aracati-CE. Minerva, 2003. p. 59-60

 

[1] MENEZES, Ezequiel da Silva de. O Aracati e sua Vida Cultural e Jornalística. Imprensa Oficial. Fortaleza. Ceará. 1984. p.10

[2] Ibid. p.11

[3] Ibid.