Em 12 de novembro de 1824, portanto, um pouco mais de 2 anos após a Independência do Brasil, o Imperador Dom Pedro I dissolveu o Parlamento e a Constituinte deixada por Dom João VI.
Os brasileiros gostaram da Independência e os portugueses ainda estavam indignados por ela haver acontecido. Com a dissolução da Constituinte, todos gritaram alto, por suspeitarem que o Imperador dava sinais de que queria total poder, com um Conselho Régio composto de pessoas de sua confiança, o que significaria, na prática, um Imperador-Ditador.
Quando o boato de que o Imperador teria plenos poderes e a ninguém obedeceria, todos ficaram nervosos, o clero, o povo e os comerciantes. Quem tinha cargo público ficou calado, mas os demais passaram a reclamar, já que o Imperador deveria representar o Poder Moderador.
Em Recife, o povo e o clero vão às ruas querendo independência, por julgarem ser Pernambuco, uma das mais ricas Províncias do País. No Ceará, no povoado Campo Maior de Quixeramobim, hoje município de Quixeramobim, o clero, o povo e os fazendeiros reúnem-se na Câmara e proclamam o Governo Republicano, no dia 9 de janeiro de 1824, portanto, quase dois meses depois da dissolução do Parlamento.
Logo após, no dia 18 de janeiro, os republicanos do novo governo de Campo Maior de Quixeramobim, mandam uma Comissão ao Icó e conseguem a adesão daquela forte Comarca à República nascente.
Tomando conhecimento dos novos acontecimentos políticos, Tristão Gonçalves de Alencar, um dos muitos filhos do português João Gonçalves e de dona Bárbara de Alencar, se desloca do Crato, onde morava, para Fortaleza, acompanhado de José Pereira Filgueiras. Ao chegar, prendem imediatamente o líder monarquista Carvalho Couto. Pereira Filgueiras assume o comando das forças policiais da Província.
Em 09 de fevereiro, a Câmara de Aracati adere a Tristão e sugere uma Regência com sede em Recife, que deveria administrar as Províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas. Acredita-se ter surgido aí a ideia da Confederação, que logo depois foi adotada pelo presidente da Província de Pernambuco, Manoel de Carvalho Paes de Andrade.
No dia 09 de março, o presidente pernambucano manda uma tipografia, acompanhada pelo tipógrafo republicano Francisco José Sales, que lança, no dia 1º de abril, o primeiro jornal do Ceará, com redação do Pe. Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque, que logo acrescentaria ao sobrenome a palavra Mororó, nome pelo qual ficou conhecido daí em diante. Quase todos os revoltosos acrescentaram algo ao nome, como denotam exemplos: Tristão Gonçalves de Alencar Araripe; João de Andrade Pessoa Anta; Miguel Ferreira Ibiapina; Luiz Inácio Azevedo Bolão. Este último acrescentou, ele próprio, esse nome ao seu, por se considerar muito gordo.
Em 14 de abril chega a Fortaleza, numa corveta, o Ten.-Cel. de Engenharia Pedro José da Costa Barros, aracatiense, o primeiro presidente da Província nomeado por Carta Imperial, datada de 11 de novembro de 1823, e toma posse imediatamente perante o Conselho, garantido pelas tropas da força pública. Os opositores da facção governista, liderados por Tristão Gonçalves e Pereira Filgueiras, retiram-se para o Aronches, hoje chamada de Parangaba.
No dia 29 de abril, acontece o novo levante e Filgueiras, à frente das tropas, manda prender várias pessoas de influência em Fortaleza. O aracatiense Costa Barros é destituído e Tristão Gonçalves é escolhido para substituí-lo como Presidente Provisório da Província.
Em 02 de julho, o presidente da Província de Pernambuco, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, proclama a Confederação do Equador.
Em 10 de outubro, os monarquistas de Aracati, arvoram em suas casas a bandeira Imperial. Dois dias depois, 12 de outubro, Tristão Gonçalves parte para Aracati, a fim de combater os monarquistas e a 13 de outubro os monarquistas se reúnem na Câmara e declaram instalado o Governo Temporário, em nome do Imperador.
Tristão chega a Aracati em 17 de outubro e começa o combate que dura o dia todo. Filgueiras, que vinha por Logradouro, antes de Santa Maria encontrou as tropas bem municiadas de Pinto Madeira. Houve uma carnificina, pois os homens de Filgueiras comandados pelo Capitão Maxi, tinham somente 3 balas cada um, o que provocou a morte de 150 homens, no episódio que ficou conhecido por Hecatombe da Picada, que era o nome da fazenda onde houve a luta. Poucos escaparam com vida.
No dia 18 de outubro, Lorde Cochrane chega a Fortaleza comandando a nau Pedro I, com muitos soldados e os habitantes de Fortaleza, tendo à frente José Felix de Azevedo e Sá, prestam juramento de fidelidade ao Imperador Dom Pedro I. No mesmo dia, Tristão assalta Aracati, pondo as tropas imperialistas em fuga para as praias de Mossoró.
21 de outubro: Tristão toma conhecimento da chegada de Lorde Cochrane, deixa Aracati e segue para o Interior com sua tropa, dando combate, onde encontra forças imperialistas. Sua última luta foi às margens do rio Jaguaribe, perto do lugar Santa Rosa, onde é fuzilado. O fato foi comunicado ao Ten. Luiz Roiz Chaves, que mandou que o enterrassem na Capela do povoado Santa Rosa. Hoje este local foi coberto pelas águas do Açude Castanhão.
Antes do Castanhão, os intelectuais cearenses fizeram construir, acredita-se que em 1924, um marco no local onde morreu Tristão Gonçalves de Alencar Araripe. Este marco foi deslocado quando a água começou a ser represada, para posteriormente ser colocado em um barco que ficará ancorado, marcando o local onde foi assassinado o herói, que morreu por um ideal.
Há um movimento de intelectuais tentando convencer ao governo para mudar o nome do açude para Açude Tristão Gonçalves.
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Fernandes, Leônidas Cavalcante. Retalhos da História. Fortaleza: ABC Editora, 2009. p. 85-88


