Criava o cel. Zé Correia na sua loja - hoje APACEL - um gato que servia para afastar os ratos. 

Toda tarde, o coronel mandava comprar, por um funcionário de nome Manuel, meio quilo de matança para alimentação do gatinho vigia.

Todas as manhãs, ao chegar à loja, o cel. Zé Correia procurava pelo gato e perguntava ao Manuel se havia dado comida a ele. A resposta era sempre afirmativa.

Uma certa manhã, ao ver o gato se esgueirando entre as mercadorias da loja, notou o cel. Zé Correia que o gato tinha afinado desde a última vez que o viu.

No mesmo instante, chama o funcionário Manuel e mais uma vez repetiu a pergunta que fazia todas as manhãs.

— Manuel, botou a comida do gato?

— Botei, coronel! Hoje de manhã dei meio quilo de matança.

— Traga o gato aqui, Manuel — ordenou.

Depressa, Manuel apanhou o gato e trouxe até onde estava o cel. Zé Correia, que segurando o gato meio sem jeito, colocou-o numa balança e pesou. Meio quilo bem pesado! Olhando bem nos olhos de Manuel falou:

— Manuel, o meio quilo de matança está aqui. onde está o gato?!

 

________________________

PEREIRA FILHO, Antero. Assim me contaram. — Fortaleza: 2015. p. 74.