Antes do término do vicariato do padre Manuel Antônio Pacheco S.J., o que ocorreu a 18 de fevereiro de 1949, uma outra banda de música foi constituída, desta feita tendo como componentes adultos.
Recebera a denominação de Santa Cecília, fundada que foi no dia consagrado à santa sempre invocada como padroeira do canto e da música, 22 de novembro de 1946.
Como a de adolescentes, contava com os auspícios da Paróquia.
Foi seu maestro o mesmo da banda anterior (Banda de Música Paroquial de Adolescentes), José Cordeiro de Araújo e o mesmo o local de sua sede social (Pavimento superior da capela do Senhor do Bonfim), logo mudado em face de inconveniências e incompatibilidades entre os horários de funções religiosas da Capela e os da banda para seus ensaios e atividades outras próprias da corporação.
Durante cerca de três anos, tudo correu normalmente, não tendo chegado ao nosso conhecimento, exatamente, as razões das alterações que veio a experimentar no correr do exercício de 1948, quando é certo parecia haver condições favoráveis a um mais prolongado período de funcionamento, visto existir o maior empenho por parte da vigararia.
Aliás, consigna o Livro de Tombo da Paróquia que a 1º de outubro desse ano, por ocasião da festa da padroeira a banda de música paroquial ganhara de presente fardamento novo do conhecido empresário Renato Costa Lima Caminha.
A esta altura, encontrava-se à frente do paroquiato de Aracati o padre Abdon Valério dos Santos S.J. (15, p. 218)[1]; vigário de 23 de março de 1949 a 6 de junho de 1951, o XXII.
Narra, outrossim, aludido Livro de Tombo que, a 29 de novembro de 1949, no mesmo terreno da “Casa de Retiros das Teresinhas”, na atual rua Santos Dumont, fazendo esquina com a travessa que, começando na mencionada rua Santos Dumont e, tomando a direção da rua Cel Alexanzito (antiga rua Grande), alcança essa rua em frente à Capela do Senhor Bom Jesus do Bonfim, no mesmo terreno da “Casa de Retiros das Teresinhas”, repetimos, teve início a construção da, então, denominada Casa da Banda que, além de sede da Banda, serviria de morada de seu maestro, na hipótese de tratar-se de pessoa contratada fora de Aracati, necessitando, dest’arte, de pousada, hospedagem.
A Casa da Banda ocuparia a área de vinte e cinco metros de comprimento e oito metros e cinquenta centímetros de largura e, é certo, sua construção foi concluída, sendo utilizada como tal, na observância dos propósitos de seus mentores; o que porém, hoje, não temos podido esclarecer, são as datas dos períodos de tempo de seu uso e natureza dos resultados colhidos com a inovação.
O senhor Pedro Alves de Matos (carinhosamente tratado por Pedrinho, em 29.06.2002, com setenta e sete anos de idade), muito conhecido entre os colegas de profissão, pois, não poucas vezes chegou a substituir maestros de bandas que a ele recorreram (o que muito ainda o envaidece), interrogado relata, sem condições de poder afirmar com precisão, que o Tenente Naninho, em fins da década de quarenta ou princípios da década de cinquenta, colaborara pela quarta vez, e última, com a paróquia de Aracati, nesse particular.
Sabe-se que a banda cognominada de paroquial foi, somente ao tempo do vicariato do padre José Mauro Ramalho de Alarcon e Santiago, XXVI pároco, com exercício de 11 de dezembro de 1955 a 11 de novembro de 1961, que reaparecera sob a orientação daquele maestro (Tenente Naninho) [...].

Foto da Banda de Música Santa Cecília. Fundada em 22 de novembro de 1946, no vicariato do padre Manuel Antônio Pacheco S.J. Vestuário: Túnica de brim cáqui, com uma carreira de botões escuros, platinas aos ombros e ornamento escuro no colarinho. Quepe, cinto e sapatos também de cor escura. Calça, igualmente, de brim cáqui. Regente: Maestro José Cordeiro de Araújo. Componentes: Na 1ª fila, da esquerda para a direita, sentados, Adonardo Bandeira, Francisco Basílio dos Santos, Carlos Bandeira, Leonardo Bandeira. Na 2ª fila, no mesmo sentido, sentados, José Cordeiro de Araújo, Fernando da Costa Nepomuceno, José Linhares da Silva, Francisco de Assis Costa Barros, João Florêncio, João de Ana e João Pereira da Costa. Na 3ª fila, em pé, Raimundo Ferreira de Lima (Sr. Facundo), Antônio Ramos, Noé, Joaquim Sebastião da Costa, José Eugênio da Costa (José Ludgero) e Pedro Alves de Matos (carinhosamente chamado Pedrinho).
Com referência ao valor e importância da música no curso das celebrações do culto nos templos católicos, “recorde-se que uma das aspirações mais ardentes do papa São Pio X (1903-1914) era promover, sempre que possível, o canto dos fiéis nas Igrejas”, registra um de seus biógrafos; o cardeal Rafael Merry del Val. (32, p. 82)[2]
“Considerava altamente instrutivo para as pessoas de todas as classes sociais e um meio poderoso para despertar o interesse pelas belezas da sagrada liturgia, especialmente com relação ao Santo Sacrifício da Missa.
...
“Frequentemente, manifestava contrariedade por não ser dada maior importância a esse costume que ajudava positivamente os fiéis a compreender e sentir mais profundamente o culto católico, e que, adotado com caráter amplo e geral, contribuiria para atrair muitos ao conhecimento e cumprimento dos deveres religiosos”. (32, ps. 82 e 83)[3]
Nesse sentido, outrossim, o pensar de Sua Santidade o Papa João Paulo II, depreende-se destas suas palavras dirigidas aos purpurados da Regional Nordeste I e II, em visita ad-limina, publicadas no “L’Osservatóre Romano”, de 06 de setembro de 1995:
“1. Numa de minhas viagens a vossa terra, lembro-me ainda de que quis agradecer ao Todo Poderoso ter enraizado tão profundamente no coração do povo de Deus desse País, a Cruz, a Eucaristia e a Aparecida.
“Compreende-se, então, como o brasileiro gosta dos sinais exteriores da fé! Ele quer ver as igrejas com as suas características religiosas, com as expressões autênticas da arte sacra que despertam a piedade e levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus. Ele quer ouvir com alegria bater o sino de vossas igrejas convocando-o para as celebrações litúrgicas ou convidando-o para as orações do dia ou da tarde em louvor da Virgem Maria! Um sino que toca - e tantos emudeceram, leva a muitos ouvidos um sinal de vitalidade eclesial.
“2. Ele quer sentir nas músicas de vossas igrejas o apelo ao louvor de Deus, à ação de graças, à prece humilde e confiante, e se sente incomodado quando esses cantos, em sua letra, envolvem uma mensagem política ou puramente terrena, e em sua expressão musical não apresentam as características de música religiosa, mas são marcadamente profanas, no ritmo, na linha melódica e nos instrumentos musicais de acompanhamento.
“3. Procurai dar um clima de piedade e dignidade às celebrações litúrgicas, sabendo fazê-las alegres nos momentos devidos e sempre espiritualmente confortadoras”. (29, p. 22)[4]
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LEAL, Hélio Ideburque Carneiro. Bandas de Música de Aracati – Aracati-CE. Minerva, 2003. p. 75-80
[1] LEAL, Hélio Ideburque Carneiro. Igreja de Nossa Senhora do Rosário: A Matriz de Aracati. Ceará: [s. n.], 1998.
[2] MERRY DEL VAL, Rafael. O papa que eu conheci de perto. São Paulo: ArtPress, 2001. (Série Cultura Religiosa, n. 12).
[3] Ibidem
[4] CATOLICISMO. São Paulo: Editora Padre Belchior de Pontes, n. 546, p. 22.

