A lírica de José Maria de Oliveira pulsa entre o sonho e a memória, revelando um autor que transforma afetos em paisagem e paisagem em rito íntimo. Nesta seleta, sua poesia emerge com a clareza de quem escreve para iluminar o que o tempo tenta apagar.

SONHO 

  

Eu sonhava que o sol chegava forte e brilhante em minha morada, despertava e 

via NELE você; estavas tão linda na réstia dourada que rasgava a minha 

janela, entravas sobre mim. 

  

Eras bela como o romper da aurora, brilhavas como fogos de artifícios, 

vinhas bem suave e me beijavas no rosto e no meu ouvido dizias: Sou a tua 

deusa vestida de sol! Não se acorde. 

  

José Maria de Oliveira 

  

Fortaleza, 25 de agosto de 1998 


 

CANTO PARA ARACATI 

  

Aracati, lar querido, 

Berço pulcro e acolhedor, 

Oceano de beleza, 

Terra de encanto e candor 

Onde os ventos, com presteza, 

  

Espalham paz e amor. 

  

Regando-te, o Jaguaribe 

Segue célere pro mar 

E a brisa, nas carnaúbas, 

Que a todos vem embalar, 

Lembra que o Aracati 

É mesmo terra sem par. 

  

Aracati dos Antônios, 

Dos Monteiros e demais 

Poetas que registraram 

Em gloriosos anais 

Tua história afamada 

Que tanto orgulho nos traz. 

  

Tenho orgulho, terra amada, 

De eu ter nascido aqui, 

De ser fruto de teu ventre, 

Oh! querido Aracati. 

Por isso, com estes versos, 

Eu canto a paixão por ti. 

  

José Maria de Oliveira