Nos versos de Mirella Costa, o gesto mínimo se converte em revelação. Sua poesia, contida e incisiva, tensiona o silêncio até fazê‑lo falar. A seleta evidencia uma autora que domina a arte do impacto breve.

SILÊNCIO 

  

Vazio de palavras, 

Sinfonia do vento, 

Do tempo; 

Das ondas do mar. 

Silêncio da noite 

Que grita, 

Que nos coloca 

Entre duas escolhas: 

A de ficar 

E a de ir... 

Ir para algum lugar 

Que se possa clamar 

Com todas as forças 

Ou, simplesmente, 

Permanecer 

Nesse estado 

Do calar. 

Calar e dormir, 

Completar esse silêncio 

Que chega a apavorar, 

Mas, que é necessário. 

  

  

(Mirella Costa de Lima) 


 

MORRER 

  

Um corpo desfalecido, 

Um adeus permanente, 

Uma lágrima, 

Uma nostalgia, 

Um perdão eterno, 

Um simples refugiar-se; 

Uma gota de sangue, 

Um arrependimento, 

Uma canção silenciosa, 

Um permanecer para sempre, 

Uma dor tranquila e suave, 

Um corpo sujeito a tudo: 

A olhares críticos e penosos, 

Aliviados, alegres, tristes; 

Ressentidos e saudosos, 

Uma vida terminada. 

Uma dor, uma lágrima 

De saudades, ou 

De "até que em fim". 

  

(Mirella Costa de Lima)