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Friday, 01 May 2026 11:00

CASTORINA PINTO | ENVELOPE AÉREO

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Dom Antônio de Almeida Lustosa Dom Antônio de Almeida Lustosa Fonte: institutodoceara.org.br

D. Antônio de Almeida Lustosa, arcebispo de porte esguio e figura de reconhecida importância na Igreja Católica, comandou a Arquidiocese do Ceará por longos vinte e dois anos, renunciando ao cargo em 1963. Sua presença impunha respeito, e sua aparência — de estatura longilínea, magreza notável e certo ar ascético — contribuía para a aura de solenidade que o acompanhava por onde passava.

À época, o envio de correspondências por via aérea era feito em um tipo muito particular de envelope: papel finíssimo, quase translúcido, leve como um sopro, próprio para não pesar nas malas postais que cruzavam os céus. Esses envelopes, amplamente utilizados nos correios, eram conhecidos por todos como envelopes aéreos e faziam parte do cotidiano de quem precisava se comunicar com rapidez.

Foi nesse cenário, entre reverências e deferências, que o arcebispo esteve em Aracati. E, embora cercado de respeito, não escapou de ingressar no folclore local graças à verve espirituosa de uma personagem já célebre na cidade: Castorina Pinto — mulher de humor afiado, olhar observador e talento singular para batizar pessoas com apelidos que, uma vez ditos, colavam-se para sempre.

Castorina, entretanto, negava terminantemente ter apelidado bispos. — Padre, sim, dizia ela, com a franqueza que lhe era peculiar. — Bispo, nunca. Segundo afirmava, quem tinha esse atrevimento era seu irmão, Teófilo Pinto. Mas o povo, que guarda a memória com mais fidelidade do que documentos, insiste em atribuir a ela a autoria de dois apelidos que atravessaram gerações.

E foi assim que, mesmo com toda a negação da protagonista, o folclore aracatiense registrou que o magro, ascético e respeitável D. Antônio de Almeida Lustosa ganhou, por obra da língua ferina e do humor certeiro de Castorina, o apelido que o eternizou na história local: Envelope Aéreo.

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Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nasceu em Aracati-CE em 30 de novembro de 1946. Terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva, Antero cresceu na Terra dos Bons Ventos, onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta, uma querida amiga da família. Estudou no Grupo Escolar Barão de Aracati até 1957 e, a partir de 1958, no Colégio Marista de Aracati, onde concluiu o Curso Ginasial.
Em 1974, Antero casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e juntos tiveram três filhos: Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira. Graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN em 1976 e desde então tem se destacado em sua carreira profissional.
Antero atuou como presidente do Instituto do Museu Jaguaribano em duas gestões (1976-1979/1982-1985) e foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996), responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.
Além de sua carreira profissional, Antero é conhecido por seus estudos sobre a história e a memória da cidade e do povo aracatiense, amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local desde 1975. Em 2005, sua crônica "O Amor do Palhaço" foi adaptada para o cinema em um curta-metragem (15") com direção de seu filho, Armando Praça Neto.

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)
Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)
Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009)
A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)
Aracati era assim... (2024)
Relíquias de uma campanha (2024)
Aracaty: 1862, cólera-morbo (2025)
Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)
Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

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