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Monday, 04 May 2026 10:30

CASTORINA PINTO | CACHIMBO APAGADO

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CASTORINA PINTO | CACHIMBO APAGADO Colagem Digital: Marciano Ponciano

Na campanha política de 1950 para governador do Ceará, o deputado Raul Barbosa veio ao Aracati conduzindo uma luzidia caravana de políticos e apoiadores de sua candidatura. Entre as figuras de maior relevo destacavam‑se Franklin Chaves e o aracatiense Gilson Gondim.

Como sempre sucede nessas excursões políticas pelo interior, acabam se ajuntando a elas certas figuras de ex‑políticos que, embora já tenham perdido o prestígio e a influência de outros tempos, insistem em permanecer nas lides partidárias, na vã esperança de reavivar o passado e escapar ao completo esquecimento.

Nessa ocasião, as figuras de maior prestígio da comitiva do deputado Raul Barbosa hospedaram‑se na residência do industrial Renato Porto Costa Lima Caminha, enquanto o séquito de menor importância ficou alojado no hotel de Teófilo Pinto, onde Castorina Pinto era administradora.

Entre as figuras do 2º escalão, encontrava‑se um outrora afamado mandachuva da política cearense, que perdera para sempre o prestígio de que gozara nos salões do poder federal, ficando igualmente despojado da fortuna, dos amigos e correligionários.

Foi oferecido, por ocasião da visita do deputado Raul Barbosa, um lauto banquete aos visitantes, servido na residência do ilustre anfitrião Renato Caminha, onde a comitiva pôde exibir todo o cerimonial e a pompa que tais ocasiões costumam inspirar.

Às dezenove horas em ponto, surge no alto da imponente escadaria senhorial que levava à portaria do hotel o desvalido político acolhido por Castorina, trajando um paletó transpassado de linho branco, de ombreiras salientes, e dirige à sua anfitriã a indagação que lhe fervilhava na língua:

— Dona Castorina, qual é mesmo o caminho para a casa onde se dá o banquete?

— Espere um pouco.

Castorina saiu de mansinho, chamou a um canto da sala Polar, um molecote sarará, auxiliar de quarteiro do hotel, e, apontando para o desusado que aguardava a resposta, disparou:

— Polar, leva aquele Cachimbo Apagado a casa de Renato.

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Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nasceu em Aracati-CE em 30 de novembro de 1946. Terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva, Antero cresceu na Terra dos Bons Ventos, onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta, uma querida amiga da família. Estudou no Grupo Escolar Barão de Aracati até 1957 e, a partir de 1958, no Colégio Marista de Aracati, onde concluiu o Curso Ginasial.
Em 1974, Antero casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e juntos tiveram três filhos: Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira. Graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN em 1976 e desde então tem se destacado em sua carreira profissional.
Antero atuou como presidente do Instituto do Museu Jaguaribano em duas gestões (1976-1979/1982-1985) e foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996), responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.
Além de sua carreira profissional, Antero é conhecido por seus estudos sobre a história e a memória da cidade e do povo aracatiense, amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local desde 1975. Em 2005, sua crônica "O Amor do Palhaço" foi adaptada para o cinema em um curta-metragem (15") com direção de seu filho, Armando Praça Neto.

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)
Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)
Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009)
A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)
Aracati era assim... (2024)
Relíquias de uma campanha (2024)
Aracaty: 1862, cólera-morbo (2025)
Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)
Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

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