Na mesma época, também morava na cidade um jovem comerciante recém-chegado do norte do país, o português Armando Praça, figura conhecida por sua simplicidade e pelo sotaque lusitano que lhe marcava a fala.
Certa feita, num dia de semana, encontrava-se o futuro brilhante causídico à espera do pontão que o conduziria ao porto José Alves, onde o caminhão misto O Gradvohl o aguardava para seguir viagem rumo a Fortaleza. Foi então que se deparou com Armando Praça, igualmente à espera do mesmo pontão, que o levaria para o outro lado do rio Jaguaribe, onde mantinha um pequeno negócio com Boanerges Rocha.
Ao avistar o futuro Bacharel — que, à época, padecia de alguns furúnculos no pescoço — o lusitano, movido por ingênua curiosidade e falando com seu característico sotaque aportuguesado, indagou:
— Bom dia, doutorrr, vaiss viajar para a capital?
— Vou. Fazer exames — respondeu, lacônico, o futuro advogado.
— De sífilis? — insistiu, inoportuno, Armando Praça.
— Não. Na Faculdade de Direito!
O episódio, como não poderia deixar de ser, veio a bailar no efervescente Café Goiano, localizado na Praça Dr. Leite, reduto onde se reunia a fina flor da elite aracatiense. Num colóquio entre os frequentadores, comentava-se que o bacharelando teria ficado incomodado com a inconveniência de que fora vítima, sobretudo quanto ao aspecto e às consequênciais dos seus furúnculos.
Ao tomar conhecimento da história, teria Castorina Pinto arrematado, espirituosa como sempre:
— Também com aquela Cara de Pecado Mortal!!!