O Instituto foi estabelecido inicialmente pelas Irmãs Ursulinas, cujo espírito missionário foi fundamental para os primeiros passos da escola. A sede escolhida foi uma casa alta e ampla situada na Rua Coronel Alexandrino, nas proximidades do Mercado Público. Este prédio histórico, construído por mão de obra escrava, serviu originalmente como residência e propriedade do Sr. Baltazar de Moura e Silva. Com o passar do tempo e o falecimento de seu primeiro dono, o casario pertenceu sucessivamente ao Coronel Pinheiro e ao Sr. Joaquim Marques, antes de abrigar as primeiras sementes da educação religiosa na região. Sob a supervisão de uma comissão composta por nomes como Dr. Eduardo Dias e Major Bruno Figueiredo e a liderança da Madre Taís do Sagrado Coração, o casarão foi adaptado, melhorado e ampliado para acolher as Irmãs Ursulinas em 1931.
Naqueles primeiros anos, a escola dedicava-se à formação integral das jovens, unindo cultura moral, religiosa, intelectual, física e doméstica. A proposta curricular abrangia desde o Ensino Primário, com disciplinas como Aritmética, Ciências e História, até cursos complementares. Destacava-se o ensino de línguas (francês e inglês) por irmãs diplomadas em diversas universidades na França e Inglaterra, além de uma robusta formação artística, incluindo piano e pintura. O método buscava lapidar o caráter e as maneiras das alunas, preparando-as para os deveres sociais e cristãos sob os mais modernos preceitos da pedagogia vigente à época.
A sustentabilidade da escola contava com o forte apoio da comunidade de Aracati, que participava ativamente de promoções como pastoris, saraus e quermesses. Após a gestão de Madre Taís, a Madre Antonieta de Jesus assumiu a direção entre 1932 e 1933, mantendo o zelo educativo até a transição para uma nova congregação que ocorreu em dezembro de 1933. Entre os motivos dessa sucessão podemos destacar as grandes dificuldades enfrentadas pelas Ursulinas, que se intensificaram devido aos impactos da seca que atingiu a região naquele período.
O ano de 1933 marcou uma virada administrativa e pedagógica com a chegada das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. A transição foi selada por uma transação financeira simbólica: a Irmã Mahieu adquiriu o prédio escolar da Madre Taís por 25 contos de réis, tornando o Instituto propriedade das irmãs vicentinas. Com elas, o carisma do serviço humilde e da caridade inventiva, a exemplo de São Vicente de Paulo, passou a nortear a instituição.
Enquanto o programa curricular proposto pelas Ir. Ursulinas (1931-1933) focava na formação intelectual e artística da elite feminina, oferecendo um currículo clássico com línguas estrangeiras (francês e inglês) e belas artes, como piano e pintura, as Filhas da Caridade (1933 em diante) redirecionaram a obra para o valor social, substituindo o Instituto pelo Patronato São José, voltado prioritariamente às moças pobres. O currículo vicentino priorizava a educação familiar, com ensino de corte, confecção e economia doméstica, reservando os fins de semana para instrução gratuita à pobreza. Enquanto as Ursulinas visavam a cultura aprimorada das jovens da sociedade, as Vicentinas expandiram sua atuação para a assistência direta através do Dispensário dos Pobres e da saúde pública.

A sucessão de diretoras ao longo das décadas reflete a adaptação do Instituto aos desafios históricos vividos em Aracati. Durante a gestão da Irmã Rocha (1939–1950), a escola enfrentou dificuldades econômicas severas e uma epidemia de malária, mas conseguiu o reconhecimento definitivo do Curso Ginasial e a equiparação da Escola Normal.

Nas décadas seguintes, sob lideranças como Irmã Timbó (1950 a 1957) e Irmã Oliveira (1957 a 1964), o Instituto continuou a expandir sua infraestrutura física e trabalho social. Foram construídos o auditório do Patronato São José, salas de aula e até um ambulatório médico, consolidando o papel do ISJ como um centro de assistência social de um público diverso composto por pessoas privadas de liberdade, idosos e doentes.
A história do Instituto também é marcada por sua resiliência diante de desastres naturais. Em 1974, durante a gestão da Irmã Elisabeth Silveira (1972 a 1979), a cidade de Aracati sofreu uma inundação total. A cheia do rio Jaguaribe exigiu um espírito de abnegação e sacrifício das religiosas para apoiar as vítimas e recuperar o estabelecimento.

Ao longo de sua história, o Instituto São José foi enriquecido pela dedicação e pelo carisma singular de cada diretora que assumiu o educandário. Cada gestão, marcada por desafios e conquistas próprias, contribuiu de maneira decisiva para fortalecer a missão educativa e social da instituição. Com sensibilidade e visão, essas mulheres imprimiram novos rumos, ampliaram projetos e consolidaram valores, tornando-se pilares fundamentais no processo de formação humana e cristã. A presença delas, sempre inspiradora, garantiu a continuidade do legado de acolhimento e renovação, perpetuando a identidade do ISJ como referência de ensino e solidariedade em Aracati.
Após décadas de adaptação às demandas sociais e educacionais de Aracati, refletidas nas diversas gestões das diretoras que impulsionaram o Instituto São José, chega-se à fase contemporânea, marcada por novas conquistas e avanços. Nesse contexto, a trajetória recente do Instituto São José (ISJ) encontra em sua cronologia um capítulo de vigorosa renovação sob a liderança da Irmã Ana Lúcia Piteira de Carvalho , cuja gestão, entre os anos de 2017 e 2024 , consolidou-se como um marco de modernização e resgate da memória institucional. Sua administração foi pautada por uma visão estratégica que uniu a qualificação da infraestrutura pedagógica ao zelo pelos espaços de espiritualidade e convivência, reafirmando o compromisso da instituição com os desafios da educação contemporânea.

No âmbito da infraestrutura, a gestão da Irmã Ana Lúcia priorizou o bem-estar e o desenvolvimento das aprendizagens de crianças e jovens. Já em agosto de 2017, foi inaugurada a Quadra Ir. Alzira Holanda Campelo, um espaço dedicado especificamente aos alunos da Educação Infantil. O avanço tecnológico e estrutural teve seu ápice em janeiro de 2018, com a implantação de uma subestação de energia própria. Esta intervenção foi o alicerce necessário para a climatização de todas as salas de aula e setores administrativos, garantindo um ambiente de aprendizado e trabalho mais qualificado e produtivo.
A valorização da memória histórica também foi um eixo central desse período. A ampliação e requalificação do antigo auditório do Patronato São José transformou o espaço em um centro cultural moderno, dotado de poltronas acolchoadas, sistema de climatização, sala técnica e camarins completos. Este novo equipamento recebeu a denominação de Auditório Dr. Eduardo Alves Dias, uma homenagem póstuma a uma das personalidades mais emblemáticas na consolidação do Instituto, cujo nome aparece recorrentemente nos registros históricos como um grande incentivador da obra das irmãs.
A dimensão espiritual, pilar fundamental das Filhas da Caridade, foi fortalecida em março de 2018 com a fundação da Associação da Medalha Milagrosa. A iniciativa visou não apenas promover a devoção à Nossa Senhora das Graças, figura central na identidade vicentina , mas também dinamizar ações missionárias junto à comunidade. Esse zelo pela identidade religiosa manifestou-se também na estética institucional: em 2021, a reforma dos jardins de Nossa Senhora das Graças e de São José dotou-os de um nicho monumental e uma fonte, requalificando esses ambientes como espaços de reflexão, harmonia e convivência para toda a comunidade educativa.
O reconhecimento público desse dinamismo administrativo ocorreu em novembro de 2020, quando a Câmara Municipal de Aracati outorgou à Irmã Ana Lúcia o título de Cidadã Aracatiense, projeto de autoria do professor e vereador Francisco Mendes.
Dando continuidade ao esforço de valorização das conquistas e da memória institucional, a preservação da cultura e do mérito esportivo ganhou um lugar de destaque em 2022 com a inauguração da "Galeria da Vitória" . Este memorial, dedicado à exposição de troféus e medalhas do esporte vicentino, representa não apenas o reconhecimento das realizações esportivas, mas também integra o conjunto de iniciativas recentes voltadas ao resgate e à celebração da história do Instituto São José. A Galeria presta homenagem especial a Maria Haydée de Sena, reforçando o compromisso da instituição em valorizar figuras que contribuíram para a formação humana e cristã de seus alunos, em sintonia com o trabalho de modernização, memória e espiritualidade desenvolvido na gestão contemporânea. Tais ações, entre outras, demonstram que a gestão da Irmã Ana Lúcia Piteira de Carvalho não apenas modernizou o Instituto, mas também soube honrar o legado das religiosas que a precederam na galeria de diretoras do Instituto São José.
A memória dessas mulheres encontra-se preservada em uma exposição permanente em salão nobre situado na portaria social da Mansão Querida. Neste local de memória uma galeria de fotos celebra o legado de diretoras que dedicaram suas vidas à formação humana e cristã. Essa linha do tempo, que se estende de Irmã Mahieu (1933) até a atual gestão, é um testemunho da continuidade da missão educativa em solo aracatiense. Através das décadas e sob o comando de diretoras abnegadas, a instituição soube equilibrar a formação intelectual com a preocupação social, mantendo viva a chama da caridade e da educação. O memorial presente na Mansão Querida não celebra apenas nomes, mas uma história de zelo sem limites e dedicação integral à juventude e aos mais necessitados.
REFERÊNCIAS
AS RELIGIOSAS Ursulinas chegam ao Aracati. O Jaguaribe, Aracati, 27 jul. 1930
ESTATUTOS do Instituto São José dirigido pelas Irmãs Ursulinas. O Jaguaribe, Aracati, 15 mar. 1931. p. 3.
INSTITUTO SÃO JOSÉ. Notas para a história do Instituto São José. Aracati, [1990?.]. Notas. Não paginado.
MÓVEIS expostos à venda. O Jaguaribe, Aracati, 26 nov. 1933. p. 6.
PATRONATO São José. O Jaguaribe, Aracati, 24 dez. 1933. p.3.