Aracati

Wednesday, 29 April 2026 10:46

CASTORINA PINTO | CÉDULA FALSA

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CÍRCULO OPERÁRIO SÃO JOSÉ CÍRCULO OPERÁRIO SÃO JOSÉ Acervo: Antero Pereira Filho

 

O antigo Teatro São José — que mais tarde receberia os nomes de Cineteatro São José e, posteriormente, Cine Moderno — é hoje o Teatro Francisca Clotilde, justa homenagem à grande incentivadora do teatro em nossa cidade. Sua primeira fase foi inaugurada em 27 de setembro de 1925, apresentando ao público a peça dramática Um erro judiciário e a comédia Amores de um Soldado, ambas encenadas pelos atores amadores do Grêmio Literodramático Aracatiense.

Por muito tempo o Teatro São José foi a principal casa de diversão da cidade,  recebendo em seu palco companhias teatrais que aqui vinham exibir suas representações.

Com o surgimento de um espaço verdadeiramente dedicado às artes cênicas, muitas associações teatrais foram criadas em Aracati. Nelas, moças e rapazes, sob a orientação atenta de Dona Chiquinha Clotilde e do Dr. Eduardo Dias, desempenhavam seus papéis com tal dedicação que frequentemente se destacavam pela qualidade das interpretações, recebendo o aplauso caloroso das plateias que prestigiavam as apresentações.

Numa dessas emocionantes noitadas de arte, promoveu-se um concurso de poesias que teria como declamadores jovens atores amadores. A expectativa era grande e a plateia, que lotava o recém-inaugurado salão do Cine Teatro São José, aguardava ansiosamente o início da disputa, envolta no ambiente garbosamente decorado para aquela ocasião.

Castorina Pinto integrava um séquito de prendadas moças da sociedade aracatiense, todas vestidas a caráter e paramentadas com o que havia de mais chique e moderno à época. Ao adentrarem o foyer do teatro, causaram imediato frisson na rapaziada, que se esmerava em elegantes salamaleques e galanteios.

Desses encontros, muitos casais se formaram e constituíram família. Eram, afinal, os raros momentos em que as moças daquele tempo podiam interagir com os rapazes longe do olhar fiscalizador de algum membro da família.

Foi exatamente nessa noite de festa que Castorina, que sempre guardara consigo um certo quê de desilusão em relação aos homens, deixou-se tomar pela curiosidade ao notar um rapaz que se postava no palco, pronto para iniciar a declamação da poesia.

Para a flor da sociedade

Do teto romper o dique

Fundou-se aqui na cidade

O novo Bar – Ponto Chic

Quem aprecia o que é bom

Em casa, sempre, não fique

prime no gosto e no tom

Visitando o Ponto Chic

Moço de linha também

De melindre e tremelique

Não se esqueça escute bem

Prefira só Ponto Chic.[1]

 

Ao findar sua exibição, rodopiando sobre os calcanhares, deu uma rabissaca ciclônica no palco que levantou poeira no salão.Castorina perplexa não se conteve:

— Esse não me engana! É uma Cédula Falsa!


[1] Poema publicado no Jornal O Jaguaribe.

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Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nasceu em Aracati-CE em 30 de novembro de 1946. Terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva, Antero cresceu na Terra dos Bons Ventos, onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta, uma querida amiga da família. Estudou no Grupo Escolar Barão de Aracati até 1957 e, a partir de 1958, no Colégio Marista de Aracati, onde concluiu o Curso Ginasial.
Em 1974, Antero casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e juntos tiveram três filhos: Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira. Graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN em 1976 e desde então tem se destacado em sua carreira profissional.
Antero atuou como presidente do Instituto do Museu Jaguaribano em duas gestões (1976-1979/1982-1985) e foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996), responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.
Além de sua carreira profissional, Antero é conhecido por seus estudos sobre a história e a memória da cidade e do povo aracatiense, amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local desde 1975. Em 2005, sua crônica "O Amor do Palhaço" foi adaptada para o cinema em um curta-metragem (15") com direção de seu filho, Armando Praça Neto.

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)
Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)
Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009)
A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)
Aracati era assim... (2024)
Relíquias de uma campanha (2024)
Aracaty: 1862, cólera-morbo (2025)
Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)
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