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Wednesday, 22 April 2026 07:55

CASTORINA PINTO | MALACABADO

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Museu Jaguaribano (Detalhe). Museu Jaguaribano (Detalhe). Fonte: Instituto do Museu Jaguaribano

 

Lá pelos idos dos anos de 1940 e começo dos anos 50, funcionava, onde hoje está instalado o Museu Jaguaribano, o Hotel Aracati, de propriedade do Sr. Teófilo Pinto, irmão da famosa Castorina Pinto. Nessa época, Castorina Pinto tornou-se a auxiliar do irmão na administração do hotel. A partir de então, iniciou-se a fama que a tornou conhecida em todo o Brasil, e Aracati recebeu o cognome de “Terra dos Apelidos”.

Em passagem por Aracati, no ano de 1951, o jornalista Blanchard Girão, do Jornal da Manhã, entrevistou Castorina Pinto a respeito dos famosos apelidos aplicados por ela a um número variado de personalidades e pessoas comuns, principalmente àqueles que tinham a ingenuidade de se hospedar no hotel sem esperar o que os aguardava.

Este foi o caso de um viajante, assim narrado pela própria Castorina ao jornalista:

“Um dia chegou um viajante que, ao contrário dos demais, trancou-se em copas e só falava alguma coisa para reclamar do estabelecimento e dos servidores... Pois bem, era um sujeito todo torto, feioso, antipático. Havia no hotel um pirralho que, de tão gordo, mereceu de mim o apelido de Presunto e que era quarteiro do tal viajante. Certo dia, o Presunto trouxe uma conversa aos meus ouvidos. O camarada tinha dito cobras e lagartos do hotel. Mandei o menino de volta com este recado: — Diga àquele Malacabado que procure outro hotel”.

O apelido pegou, de fato. O viajante, sem aborrecer-se, continuou no hotel e sempre como Malacabado.

Conta ainda Castorina que um dia, indo a Fortaleza, deparou-se com ele, sentado à porta de sua casa, na então Praça da Bandeira. Bateu-lhe no ombro:

— Olá, Malacabado, como vai você?

Ele riu, chamou a esposa e me apresentou:

— Eis a mulher que me apelidou de Malacabado.

Foi então que ela me abraçou, dizendo:

— Meus parabéns! Este sujeito é mesmo um malacabado...

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Antero Pereira Filho

ANTERO PEREIRA FILHO, nasceu em Aracati-CE em 30 de novembro de 1946. Terceiro filho do casal Antero Pereira da Silva e Maria Bezerra da Silva, Antero cresceu na Terra dos Bons Ventos, onde foi alfabetizado pela professora Dona Preta, uma querida amiga da família. Estudou no Grupo Escolar Barão de Aracati até 1957 e, a partir de 1958, no Colégio Marista de Aracati, onde concluiu o Curso Ginasial.
Em 1974, Antero casou-se com Maria do Carmo Praça Pereira e juntos tiveram três filhos: Janaina Praça Pereira, Armando Pinto Praça Neto e Juliana Praça Pereira. Graduou-se em Ciências Econômicas pela URRN-RN em 1976 e desde então tem se destacado em sua carreira profissional.
Antero atuou como presidente do Instituto do Museu Jaguaribano em duas gestões (1976-1979/1982-1985) e foi secretário na gestão do prefeito Abelardo Gurgel Costa Lima Filho (1992-1996), responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Cultura.
Além de sua carreira profissional, Antero é conhecido por seus estudos sobre a história e a memória da cidade e do povo aracatiense, amplamente divulgados em crônicas e artigos publicados na imprensa local desde 1975. Em 2005, sua crônica "O Amor do Palhaço" foi adaptada para o cinema em um curta-metragem (15") com direção de seu filho, Armando Praça Neto.

Obra

Assim me Contaram. (1ª Edição 1996 e 2ª Edição 2015)
Histórias de Assombração do Aracati. Publicação do autor. (1ª Edição 2006 e 2ª Edição 2016)
Ponte Presidente Juscelino Kubitschek. (2009)
A Maçonaria em Aracati (1920-1949). (2010)
Aracati era assim... (2024)
Relíquias de uma campanha (2024)
Aracaty: 1862, cólera-morbo (2025)
Fatos e Acontecimentos Marcantes da História do Aracati. (Inédito)
Notícias do Povo Aracatiense (Inédito)

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