A principal avenida de Aracati, muito antes da denominação atual – Cel. Alexanzito Costa Lima - apresentava uma variada designação de nomes em toda sua extensão.
Por mais de trinta anos, depois do descobrimento, o Brasil foi esquecido por Portugal. Somente com a implantação do regime de Capitanias Hereditárias, os portugueses vieram a se preocupar com a terra que haviam descoberto.
A comunidade do Cumbe fica no município de Aracati/CE a 172 km de Fortaleza. É a última povoação da margem direita do Rio Jaguaribe12. O acesso ao local é feito por estrada de terra com 12 km de extensão entre a sede do município e o povoado.
Diariamente em regiões ribeirinhas, no fim das tardes e começo das noites quentes da época seca do ano, sopra um vento que de acordo com moradores, leva uma sensação de conforto térmico a tais regiões, pelo motivo de que as mesmas possuem altas temperaturas. Esse vento é denominado pelos próprios moradores de vento Aracati, não se sabendo ao certo, a partir de que momento ele recebeu tal denominação. Muitos moradores supõem que o Aracati possui origem do mar, e acaba adentrando pelo sertão através do vale do Rio Jaguaribe, o principal rio perene do estado do Ceará, ou também chamado de baixo Jaguaribe.
Foi então demarcada como praça do Aracati em 1748, a medida de 1050 por 585 palmos ou aproximadamente 128 por 231 metros no sítio chamado “Cruz das Almas”, ao sul do antigo lugarejo do “Porto dos Barcos”, por ser considerado o mais livre das inundações. O risco idealizado confirma o recurso à proporcionalidade algébrico-geométrica corrente nas praças portuguesas.
Nem só de bonança viveu a “terra dos ventos”. Talvez por sua fama ter se propagado por todo o interior da Província como centro econômico desenvolvido, Aracati não atraiu apenas investidores em busca de lucros, mas também atraía aqueles vitimados pelas secas ocorridas nos séculos XVIII e XIX.
Francisco Freire Alemão, estudioso que fazia parte da Comissão Científica do Império22, esteve de passagem pelo Cumbe em 1859 e retratou o lugar com detalhes em dois textos: “Passeio ao Cumbe” e “Visita ao Cumbe”23.
A iniciativa de fundação de uma aula régia de gramática latina em Santa Cruz do Aracati partiu dos seus homens bons. Reunidos em vereação no dia 23 de outubro de 1784, os oficiais da edilidade elaboraram uma representação endereçada à rainha D. Maria I, afirmando a grande necessidade de abertura da cadeira na vila, por esta se tratar da maior e mais populosa da comarca do Ceará, apresentando a localização geográfica e a situação econômica mais convenientes de toda a capitania:
[…] porque ela se constitui de um porto marcante, cujo comércio se tem promovido, e promove cada dia a povoação de tal sorte que promete um vantajoso adiantamento, concorrendo para ela muitos mercadores de fazendas, cujas lojas já excedem de setenta, o que se não vê e nem encontra noutra alguma vila desta comarca, nem ainda a ter parte delas, e além disto a ocorrência da gente marítima e dos sertões, que como para seu empório ou corte a ela vem, a faz mais populosa13.
No relato de Freire Alemão, percebemos que além dos canaviais, havia naquele período outro elemento muito marcante da paisagem, que foi definido pelo pesquisador como “monte de areia fina e clara sem nenhuma vegetação”33. O conjunto de dunas do Cumbe prendeu a atenção do grupo de estudiosos. Das duas aquarelas produzidas pela comissão retratando o local, uma ilustra as dunas.
O Grupo Lua Cheia, com sede na cidade de Aracati-CE, é um coletivo de artistas formado em 1990 com o objetivo de fomentar, divulgar e pesquisar a arte e a cultura.