Em passagem por Aracati, no ano de 1951, o jornalista Blanchard Girão, do Jornal da Manhã, entrevistou Castorina Pinto a respeito dos famosos apelidos aplicados por ela a um número variado de personalidades e pessoas comuns, principalmente àqueles que tinham a ingenuidade de se hospedar no hotel sem esperar o que os aguardava.
Este foi o caso de um viajante, assim narrado pela própria Castorina ao jornalista:
“Um dia chegou um viajante que, ao contrário dos demais, trancou-se em copas e só falava alguma coisa para reclamar do estabelecimento e dos servidores... Pois bem, era um sujeito todo torto, feioso, antipático. Havia no hotel um pirralho que, de tão gordo, mereceu de mim o apelido de Presunto e que era quarteiro do tal viajante. Certo dia, o Presunto trouxe uma conversa aos meus ouvidos. O camarada tinha dito cobras e lagartos do hotel. Mandei o menino de volta com este recado: — Diga àquele Malacabado que procure outro hotel”.
O apelido pegou, de fato. O viajante, sem aborrecer-se, continuou no hotel e sempre como Malacabado.
Conta ainda Castorina que um dia, indo a Fortaleza, deparou-se com ele, sentado à porta de sua casa, na então Praça da Bandeira. Bateu-lhe no ombro:
— Olá, Malacabado, como vai você?
Ele riu, chamou a esposa e me apresentou:
— Eis a mulher que me apelidou de Malacabado.
Foi então que ela me abraçou, dizendo:
— Meus parabéns! Este sujeito é mesmo um malacabado...
