“Literatura” é um nome dotado de muitos sentidos, carregado de muitas valorações. Na forma como gostaria de entendê-la aqui, consiste na arte da palavra, oral ou escrita, desenvolvida como meio criativo de interação entre a realidade (externa) e a fantasia (interna), a fim de permitir uma confabulação em que se exprimam sentimentos e visões de mundo plasmados pelo artista. Essa definição talvez pareça ter seus limites, mas é inevitável que assim o seja: agora, julgar se tais limites são negativos ou positivos cabe a cada um, segundo o próprio entendimento e perspectiva.
A prática de angariar votos na véspera da eleição continua, atualmente, igual ao passado, somente com método diferente. Aniceto da Costa escreveu uma crônica atualíssima narrando um acontecimento havido no Aracati ao tempo da eleição municipal de 1950, envolvendo personagens e lideranças daquela época.
Rosa, naquele tempo em que a seca de 1932 varreu o sertão como um vento de desgraça, ainda não fazia a vida remendada que depois teve de aceitar quando chegou a Aracati, empurrada pela fome e pela poeira. Vinha moça, mas já com o olhar cansado de quem aprendera cedo que a terra rachada não dá futuro a ninguém. Tentou de tudo: ajudante em venda, lavadeira de beira de rio seco, carregadora de trouxas alheias. Mas a seca, essa danada, não deixava ninguém firmar pé em canto nenhum. Faltava água, faltava serviço, faltava até esperança. E Rosa, sem estudo e sem padrinho, vivia de arranjos: um dia aqui, dois acolá, sempre com a sensação de que o mundo lhe escapava por entre os dedos.
Um engenheiro químico brilhante, aracatiense, professor de climatologia da Universidade Federal do Ceará e precursor, juntamente com o Dr. João Ramos, das chuvas artificiais no Ceará, ganhou fama bombardeando as nuvens para fazer chover, no que se chamava nucleação artificial. Era figura tão comentada que o povo, entre respeito e gracejo, já o chamava de Faísca, embora ninguém soubesse ao certo de onde viera o apelido.
O notável folclorista cearense Leonardo Mota nutria uma predileção especial pelo Aracati, movido pela veia anedótica e pelo humor sempre pronto do povo aracatiense. Era terra onde o espírito brincalhão vicejava como mato em beira de estrada.
Uma certa manhã, Castorina Pinto foi abordada por um casal de mais idade, muito alinhadinho, querendo saber dela se, no tempo antigo, tivera conhecimento de um médico meio esquisito que morava na Rua Grande. Castorina estranhou aquele interrogatório sem pausa — parecia até inquérito — e logo percebeu que o casal não era da terra. Ajeitou a bolsa no braço, desconfiada, e perguntou se o tal médico era parente deles. Responderam que sim e que tinham interesse em saber algo do paradeiro ou da convivência dele em Aracati.
O JOVEM LIBERATO| Encravada no litoral leste do Ceará, Aracati vivia o seu apogeu econômico e político em meados do século XIX, durante o ciclo das “charqueadas”. Nesse período, a Vila passou a ocupar posição de vanguarda em toda a Província ao fundar inúmeras oficinas de exploração da carne-seca exportada para diversos países.
Para a festa de iluminação da luz elétrica no Teatro Santo Antonio, propriedade da família Figueiredo e situado na antiga Travessa Riachuelo , fora contratado um exímio violinista, maestro de renome, originário da cidade de Recife e membro efetivo da orquestra de cordas Maurício de Nassau.
Ao tempo da construção do Ginásio Beni Carvalho, que mais tarde receberia o nome de Ginásio Marista de Aracati, chegou à cidade um arquiteto cearense tão miúdo de altura quanto largo de corpo, um sujeito que parecia ter sido moldado às pressas, com tudo compactado num só bloco. Era desses que a gente olha e pensa que a natureza, naquele dia, resolveu economizar na vertical e caprichar na horizontal. Viera a convite do Dr. Pedro Correia Barbosa, engenheiro aracatiense responsável pela obra, que buscava alguém capaz de orientar os novos rumos daquele empreendimento educacional.
Havia no Grupo Escolar Barão de Aracati um serviço odontológico destinado aos seus alunos, patrocinado pelo SESI e exercido pelo odontólogo Dr. Francisco Porto, de saudosa memória, ao tempo em que Dona Belinha Souto dirigia a escola.
A fama de Castorina Pinto alcançou tal importância na história da comicidade cearense, que até o notável jornalista e escritor do quilate do famoso Jader de Carvalho aproveitou para tê-la como personagem do seu polêmico livro Sua Majestade o Juiz.
O Aracaty Club serviu de palco e cenário, durante os anos cinquenta, ao deleite de uma sociedade conservadora e de uma elite exclusivista, que ali encontrava o ambiente ideal para cultivar suas distinções. Somente muito tempo depois o clube viria a se popularizar, embalado pelos seus memoráveis carnavais, que abriram as portas para um público mais amplo e festivo.
O Grupo Lua Cheia, com sede na cidade de Aracati-CE, é um coletivo de artistas formado em 1990 com o objetivo de fomentar, divulgar e pesquisar a arte e a cultura.